Política

Senador pede investigação sobre pane no Portal da Transparência

Página saiu do ar após denúncias de possível mau uso do dinheiro público em 2020

Senador pede investigação sobre pane no Portal da Transparência
Senador pede investigação sobre pane no Portal da Transparência
Randolfe Rodrigues e Jair Bolsonaro. Fotos: Roque de Sá/Agência Senado e Marcos Corrêa/PR
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O senador Randolfe Rodrigues (Rede) entregou, na quarta-feira 27, ao procurador-geral da República, Augusto Aras, representação que pede investigação ‘urgente’ sobre a queda do Portal da Transparência.

A avaria foi verificada após o portal de notícias Metrópoles ter revelado que o Poder Executivo gastou, no ano passado, 1,8 bilhão de reais com alimentos, sendo 15 milhões somente com leite condensado. Para o parlamentar, pode ter havido interferência a fim de impedir a checagem de fatos por parte da população.

No último domingo 24, o Metrópoles publicou uma reportagem, que expunha os gastos do Executivo com alimentação. Além do valor vultoso, chamou a atenção os itens da lista de compras: somente com goma de mascar foram gastos 2.203.681,89 reais. Além disso, constava que o Planalto comprou leite condensado a 160 reais a unidade, preço bem mais elevado do que o que é praticado nos mercados do País.

Randolfe Rodrigues salienta que o Portal da Transparência saiu do ar exatamente após denúncias de possível mau uso do dinheiro público tenha vindo à tona’. À diante, o senador questiona se ‘teria o Executivo derrubado o site do Portal da Transparência intencionalmente para que a população não pudesse descobrir ainda mais absurdos’ e pontua que resta ‘a dúvida se, nesse intervalo, banco de dados não possa eventualmente ter sido alterado, uma vez que as recentes reportagens despertaram o interesse da sociedade para investigar ainda mais os absurdos das despesas públicas’.

Em nota, o senador ponderou que é sabido que os preços praticados na venda de artigos alimentícios variam conforme a região, mas salientou que os valores apresentados na lista de compras do Planalto ‘não se justificam’. “Tudo fica pior quando o instrumento criado para fiscalizar a administração pública sai do ar justamente no dia da divulgação dos gastos astronômicos da Presidência da República”, frisou o parlamentar.

Além da investigação sobre a falha no sistema de prestação de contas do governo federal, também foi solicitado que se dê seguimento à apuração sobre a licitude das compras de alimentos pelo Executivo. “A possível tese de coincidência precisa ser seriamente investigada e rechaçada; precisamos descobrir as verdadeiras razões de restrição de acesso aos dados, legalmente públicos e de livre acesso a qualquer cidadão”, escreveu o senador na representação.

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