Política

Anistia Internacional critica governo por monitorar ONGs em evento climático

Abin foi escalada para participar de Cúpula do Clima das Nações Unidas realizada em Madrid

Anistia Internacional critica governo por monitorar ONGs em evento climático
Anistia Internacional critica governo por monitorar ONGs em evento climático
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno. Foto: Marcos Corrêa/PR
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A Anistia Internacional divulgou nota no sábado 17 em que critica o governo brasileiro por ter escalado agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar a participação de organizações não governamentais e movimentos sociais na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-25) no ano passado.

Revelada no último domingo pelo jornal O Estado de S. Paulo, a vigilância foi publicamente admitida pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, na sexta-feira, quando escreveu em sua conta no Twitter que a agência deve acompanhar campanhas internacionais apoiadas por “maus brasileiros”.

“São graves as notícias veiculadas recentemente pela imprensa a respeito do monitoramento de movimentos sociais e organizações não governamentais que participaram da Cúpula do Clima das Nações Unidas realizada em Madrid, em dezembro do ano passado”, diz a nota da Anistia Internacional.

“Técnicas de vigilância e monitoramento de opositores políticos foram práticas utilizadas de maneira sistemática durante o regime militar no Brasil e subsidiaram, por muitos anos, graves violações de direitos humanos.”

A Anistia também criticou o fato de o general Heleno ter classificado como “maus brasileiros” os integrantes de ONGs e movimentos sociais com os quais o governo mantém relação conflituosa.

“O direito internacional determina que os indivíduos submetidos a essas práticas de monitoramento têm direito a recursos judiciais e reparação do Estado pelas violações de seus direitos humanos”, afirma a Anistia Internacional, que considerou a iniciativa do governo “grave”, “especialmente por conta de o Brasil possuir um passado recente de perseguições políticas durante o período do regime militar, que durou 21 anos”.

A entidade questionou a Lei de Anistia, de 1979, e mencionou que a Corte Interamericana de Direitos Humanos – órgão internacional responsável por aplicar a Convenção Americana de Direitos Humanos, do qual o Brasil é signatário -, concluiu recentemente que as violações de direitos humanos contra opositores políticos durante o regime militar constituíram crime contra a humanidade.

Incomum

Na semana passada, o ministro do GSI afirmou que a Abin “é instituição de Estado e continuará cumprindo seu dever em eventos, no Brasil e no exterior”. “Temas estratégicos devem ser acompanhados por servidores qualificados, sobretudo quando envolvem campanhas internacionais sórdidas e mentirosas, apoiadas por maus brasileiros, com objetivo de prejudicar o Brasil”, escreveu Heleno em rede social.

A presença da Abin no principal evento sobre mudanças climáticas do mundo é incomum. O Estadão consultou as listas oficiais das delegações nas edições da COP de 2013 a 2018, em posse das Nações Unidas. Em nenhuma delas aparece o nome de representantes do GSI ou da Agência Brasileira de Inteligência.

O envio dos agentes secretos é mais uma evidência da postura conflituosa do governo Bolsonaro com organismos internacionais, ONGs e setores da administração federal ligados ao meio ambiente.

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