Política
Governo gastou 30% dos recursos liberados para a Saúde no enfrentamento à covid-19
Discurso de ‘gastos recordes’ utilizados em canais oficiais do governo não explica que R$ 28,2 bilhões ainda não foram pagos efetivamente
Apesar dos recorrentes discursos que alegam gastos recordes do governo brasileiro com a pandemia, a situação real dos pagamentos passa longe de ter completude.
Segundo dados do Painel do Orçamento Federal, o Ministério da Saúde teve acesso a quase R$ 39.9 bilhões (R$ 38.967.509.368) de recursos para distribuir em diferentes frentes de combate ao coronavírus, mas pagou efetivamente cerca de R$ 11.7 bilhões (R$ 11.751.091.173) até esta segunda-feira 29, o que corresponde a 30,1% do total disponível para gastos na pandemia.
A situação já é conhecida por parlamentares e foi alvo de chamamento para explicações no Legislativo. Em uma sessão no Senado Federal na última terça-feira 23, o general Eduardo Pazuello, ministro interino de Saúde, havia apresentado justificativas para as medidas provisórias (MP’s) ainda não efetivamente pagas, mas apenas empenhados – ou seja, com os valores separados para uso.
Entre os motivos para saldo existente em pelo menos sete medidas provisórias assinadas pelo governo federal, aparece a predominância da “dificuldade” na aquisição de EPIs (equipamentos de proteção individual) e contratação de leitos de UTI, assim como para conseguir ventiladores pulmonares.
A situação mais crítica é da MP 969/2020, que autoriza a liberação de R$ 10 bilhões para estados e municípios enfrentarem a covid-19. De acordo com o ministro interino, nenhum real foi pago. Apesar disso, Pazuello considera que o ritmo das despesas “está bom”.
“O percentual de saldo que temos considero que está bom. É bom que tenha algum saldo para que a gente possa manobrar. Tirando a MP 969/2020, que ainda está praticamente em elaboração, com o saldo das demais, estamos trabalhando na aquisição de EPIs e na contratação de leitos. Isso é um processo lento e técnico. Não pode apenas pegar um oficio, carimbar e mandar”, afirmou.
A MP que dá conta da contratação temporária de profissionais da Saúde também estava estagnada até então. Novamente, nenhum real foi gasto, apesar de haver R$ 338,3 milhões disponíveis para o planejamento da medida, que diz respeito a uma das categorias profissionais que está na linha de frente do enfrentamento à doença.
A justificativa dada foi de “provisão para pagamento de contratos temporários da União do Brasil Conta Comigo”, o que dá a entender que os contratos ainda não foram plenamente estabelecidos com os profissionais a ponto deles receberem o pagamento. Ainda de acordo com o Ministério, existem 441.437 profissionais dispostos a atuar e outras
310.748 capacitações concluídas.
*Com informações da Agência Senado
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.


