Política
Celso de Mello prorroga inquérito sobre possível interferência de Bolsonaro na PF
A investigação ganhará mais 30 dias. Investigadores querem ouvir o próprio presidente e checar inquéritos que envolvem seus familiares
O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello acatou um pedido feito pela Polícia Federal e prorrogou por mais 30 dias o inquérito que investiga uma possível interferência do presidente Jair Bolsonaro no comando da PF. A proposta também teve o aval do procurador-geral da República, Augusto Aras.
Os investigadores pediram mais tempo porque querem, por exemplo, ouvir o próprio presidente no inquérito, além de aprofundar investigações na superintendência da PF no Rio de Janeiro, dadas as suspeitas de ingerência de Bolsonaro nas direções regionais da corporação. Os agentes querem analisar ainda outros inquéritos que envolvem a família do presidente.
Nesse sentido, há alguns pedidos pendentes. Os investigadores solicitaram dados sobre um inquérito que investiga eventuais crimes eleitorais praticados por familiares de Bolsonaro. Os dados não foram enviados. O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) foi alvo da investigação mas, como não chegou a ser indiciado, o caso passou para a Justiça Eleitoral. O Ministério Público Eleitoral, no entanto, decidiu manter a investigação.
Também é esperado pelos investigadores resultados de relatórios de produtividade na Polícia Federal do Rio, que foi alvo de críticas pelo presidente, bem como cópia do inquérito da PF do Rio sobre suposto vazamento da operação Furna da Onça.
Ainda há questões em aberto quanto a análise sobre a troca na segurança pessoal do presidente e de seus familiares. Embora o presidente tenha dito em reunião ministerial do dia 22 de abril sobre a dificuldade de trocar nomes, o Jornal Nacional mostrou que um mês antes o chefe do departamento de segurança foi substituído pelo segundo na hierarquia, além da troca do responsável pelo escritório do Rio.
Os investigadores também ainda não concluíram a análise sobre a troca de mensagens entre o ex-ministro Sergio Moro, com o presidente da República e com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Horas antes da reunião ministerial, Bolsonaro avisou a Moro da saída de Valeixo com a seguinte mensagem: “Moro, o Valeixo sai nessa semana. Isto está decidido. Você pode dizer apenas a forma. A pedido ou ex ofício”.
Moro foi o primeiro a ser ouvido na investigação aberta em 27 de abril, três dias depois de sua saída do governo. A investigação tem como base a acusação do ex-ministro sobre a interferência de Bolsonaro na autonomia da Polícia Federal. O presidente nega as acusações.
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