Economia

FMI prevê Brasil com crescimento de apenas 0,3% em 2015

Previsão estimada anteriormente era de 1,4%. A mudança acontece graças à uma possível fuga de capitais do País e ao impacto gerado pela desaceleração na China

FMI prevê Brasil com crescimento de apenas 0,3% em 2015
FMI prevê Brasil com crescimento de apenas 0,3% em 2015
Joaquim Levy em entrevista coletiva nesta segunda-feira 19
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu drasticamente nesta segunda-feira 19 sua expectativa de crescimento para o Brasil em 2015, cujo PIB avançará apenas 0,3% diante da possibilidade de uma fuga de capitais e do impacto pela desaceleração na China.

No relatório divulgado em outubro passado, o FMI havia informado uma expectativa de crescimento do Brasil de 1,4%, de forma que a nova previsão reduz fortemente o avanço do PIB brasileiro, estimado em 0,1% no ano de 2014.

O Fundo reduziu sua expectativa de crescimento para toda a América Latina, que no conjunto deve crescer 1,3% em 2015 e 2,3% em 2016. Em outubro, a previsão de crescimento do PIB regional era de 2,2% para 2015 e 2,8% em 2016.

De acordo com o Fundo, as economias emergentes sofrerão o impacto de três fatores simultâneos: a desaceleração na China, as perspectivas desalentadoras para a Rússia e as revisões para baixo do crescimento nas exportações de matérias-primas.

Este último fator está ligado ao “impacto da queda nos preços do petróleo e de outras matérias-primas em termos de intercâmbio e de ingressos reais”, que por sua vez “causarão um dano maior no crescimento a médio prazo”, assinala o relatório.

Do ponto de vista dos mercados financeiros, as economias latino-americanas estarão expostas a “surpresas na trajetória da nacionalização da política monetária americana no contexto de uma expansão mundial sem equilíbrio”.

Neste cenário, “as economias emergentes estão particularmente expostas, já que poderão sofrer uma reversão dos fluxos de capital”, adverte o FMI.

Em relação à China, cujo crescimento está diretamente ligado ao avanço no Brasil, o Fundo prevê um PIB de apenas 6,8% em 2015, o mais baixo registrado no país nos últimos 25 anos.

Em outubro passado, o FMI havia antecipado um crescimento de 7,1% para 2015, o menor nível desde 1990 na China, mas que se mantinha acima dos 7%. Para 2016, o FMI prevê um PIB ainda mais moderado para os padrões chineses, de 6,3%.

De acordo com o último relatório do Fundo, a segunda maior economia do planeta manterá em 2015 sua trajetória de desaceleração, fundamentalmente devido a uma redução dos investimentos, uma tendência que permanecerá até 2016.

O Fundo também revisou para baixo suas previsões de crescimento global, apesar do impulso proporcionado pela queda dos preços do petróleo nos países importadores.

O PIB mundial avançará 3,5% este ano e 3,7% em 2016, com uma redução de 0,3 ponto em relação aos percentuais anunciados em outubro passado para os dois anos.

“A queda dos preços do petróleo – produzida em grande parte pelo aumento da oferta – estimulará o crescimento mundial, mas este estímulo se verá amplamente superado por fatores negativos”, afirma o relatório.

De acordo com o FMI, a queda nos preços do petróleo – superior a 55% desde setembro passado – favorecerá em geral os países importadores, mas “oculta profundas diferenças de crescimento entre as grandes economias”.

Neste cenário, o FMI elevou em 0,5 ponto sua previsão de crescimento para os Estados Unidos.

O Fundo prevê ainda que a zona do Euro seguirá ameaçada pelo risco de deflação.

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