Cultura
Black Sabbath: a última turnê dos pioneiros do heavy metal
Antes de encerrar a carreira em fevereiro, banda britânica faz sua última apresentação em solo brasileiro
O rock ‘n’ roll ainda não morreu, mas parte dele está se aposentando. Neste domingo 4, um dia após Ozzy Osbourne completar 68 anos, o Estádio do Morumbi, em São Paulo, vibrou ao som de Black Sabbath, uma das primeiras bandas de heavy metal, que encerrará sua carreira em fevereiro no mesmo lugar onde começou há quase 50 anos, em Birmingham na Inglaterra.
Os shows de abertura ficaram por conta da banda brasileira Doctor Pheabes e a norte-americana Rival Sons, inspirada em Led Zeppelin.
Black Sabbath, a primeira música do álbum homônimo de estreia da banda, uma das letras mais sombrias da história do rock, deu início ao show que durou duas horas sob chuva pesada e trovoadas. Mas o mau tempo não atrapalhou em nada.
Ozzy, que estava com as clássicas unhas pretas, agradeceu o público constantemente e aproveitou para brincar. Entre uma música e outra, soltou um afinado “I’m singing in the rain”, em referência ao filme Cantando na Chuva, de Gene Kelly. Por parte dos fãs, também não faltou voz ou empolgação para cantar as treze músicas apresentadas, quase todas dos três primeiros álbuns.
Como indica o nome, a turnê The End será a última, segundo Ozzy, porque a banda deseja parar no auge. O último álbum, lançado em 2013, foi o primeiro dos dezenove discos de estúdio do Sabbath a ficar entre os mais vendidos. Ozzy segue em carreira solo, e planeja trocar o heavy metal pelo blues.
O guitarrista Tommy Iommi, que também tem carreira solo, exibiu seus riffs inconfundíveis. O ponto alto de sua performance foi em Dirty Woman, mostrando que os quatro anos de luta contra um câncer não abalaram seu talento.
A influência de Geezer Butler, baixista e principal compositor da banda, é percebida em todas as canções clássicas do show, mas o músico se destacou mesmo ao tocar a sombria N.I.B.
Da despedida não participou Bill Ward, baterista, por um desentendimento com os integrantes. Em seu lugar, tocou Tommy Clufetos, que segurou o público sozinho com um solo de bateria de mais de seis minutos puxado por Rat Salad e encerrado com a introdução de Iron Man. Clufetos faz parte da banda de Ozzy e seguirá com ele para o blues.
Ouça o setlist do show:
André Góis, 48, que esteve no Morumbi em 1983, aos 15 anos para o primeiro show de sua vida, para ver a banda Kiss, retornou ao estádio para o último. “Não tem nenhuma outra banda que vá me fazer querer voltar a um estádio”.
E a banda continua a conquistar novas gerações. Juliana de Souza, 38, levou o filho Eduardo, 16, para o Morumbi. Eles são companheiros de shows, e já foram juntos ver bandas como Metallica, Iron Maiden, Aerosmith e Black Label Society, mas o show do Black Sabbath foi especial. “É a banda favorita da minha mãe, eu tinha que conhecer. E acho que agora também é a minha favorita”, diz.
No fim da apresentação, Children of the Grave fez o estádio inteiro pular, quando o outrora “comedor de morcegos” anunciou: “É a última música”. Mas o público sabia: ainda faltava a clássica e esperada Paranoid, que encerrou o show de forma apoteótica.
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