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O que pensar do destino do Brasil?

Achar que manifestações amarelas ou vermelhas farão a economia e o desenvolvimento social caminharem é ideia pueril
por Rui Daher publicado 18/03/2016 02h59
Edilson Rodrigues/Agência Senado/Fotos Publicas
Protesto em Brasília contra a posse de Lula na Casa Civil

Em Brasília, manifestantes protestam contra posse de Lula na Casa Civil

As manifestações de domingo, 13 de março, ocorrida em várias cidades do País deveriam nos deixar muito preocupados. Nem tanto pelos riscos que um golpe policial-midiático significaria para nossa volátil democracia.

Este é um processo explícito nas ações ilegais de quarta-feira, 16 de março. Muito menos com as patacoadas de bocós iletrados que imaginam os militares com apetite para encarar esse abacaxi.

A maior preocupação é com a ignorância de classes sociais alta e média, comprovadas majoritárias nos protestos, supostamente educadas e preparadas para ocuparem os postos mais altos nas esferas pública e privada.

O que pensar do destino de um país que tem no topo da pirâmide pocilga tão apinhada que chafurda mal e cria pior?

Tais manifestações raivosas servem para reforçar o que vivemos no cotidiano. Do trânsito selvagem ao campeonato de assassinatos e à negação de direitos cidadãos a grupos estigmatizados.
Isolados, esses seres parecem patéticos novos ricos. Em massa, assumem a face cruel de um país apequenado, covarde em atitudes, injusto com “o outro”.

Imagino que os verdadeiros leitores desta CartaCapital, não os bobocas que opinam no Facebook da revista, tiveram toda a semana para se divertirem com vídeos e alocuções de ignorância pantagruélica colhidas nos protestos contra a presidente Dilma, o ex-presidente Lula, agora ministro-chefe da Casa Civil, e o Partido dos Trabalhadores (PT). Normal. Desde 1980, personagens assim atormentam o sono do acordo secular de elites, como outrora o fizeram partidos da esquerda comunista.

No blog que mantenho no Jornal GGN (Luís Nassif) descrevi o espanto de ver uma senhora chegando ao cabeleireiro, em carro e estado quase funerários, com enorme inscrição no peito: “IN MORO WE TRUST”.

Não duvido que a moda se espalhou. Mas em inglês? Por quê? Avacalhar GOD, George Washington, Benjamin Franklin e Abraham Lincoln?

Tudo o que escrevi até agora, no entanto, é café-pequeno perto de uma faixa, nas cores de nossa bandeira, com a inscrição: “TRUMP WIN AND HELP BRAZIL”.

Se a autoria não for de pessoa inspiradíssima, mordaz, sarcástica – desculpem-me o trocadilho – suástica envolve seu braço. De quem estamos falando? Aquele paspalho ajudar o Brasil? Vocês, caboclos, campesinos, sertanejos e ruralistas concordam? Os patos-amarelos da FIESP, incrustrados no agronegócio, confiam?

Pergunto: aquela massa loira plastificada ajudará o Brasil ou fechará ainda mais os EUA para nossas exportações? Entendam: em commodities agrícolas, os EUA não são nossos clientes, mas principais concorrentes.

Como ele se comportará com os brasileiros ilegais e legais que lá habitam? Quanto tempo levará para começar a fuzilar muçulmanos, expulsar chicanos e tirar direitos de negros? Cuba? Invadida. Afeganistão? Arrasado. Regimes de esquerda na América Latina depostos. Essa a ajuda que você pede?

- Ah, mas se não foi sacanagem, essa é manifestação única. Ninguém pensa assim.
- Não? Pelos depoimentos que ouvimos, tenho certeza que sim.
- Você exagera.
- De jeito nenhum. Eles seguem os almanaques Globo e Veja. Em 1964, não estiveram por aqui? Se não acredita em mim, vá à Biblioteca Nacional dos EUA para pesquisar.
- Cinquenta anos atrás era diferente.
- Ué, cinquenta anos depois, o Comício da Central do Brasil promovido pelo governo João Goulart, num mesmo dia 13 de março, não acaba de ser multiplicado por menos um e pode acabar em novo golpe?

Prezado Senhor da Faixa Trumpista, preciso conhece-lo ou a algum de seus adeptos e concordantes. Assola-me forte curiosidade que não poderei levar muitos anos à frente. Preciso entender como Donald ajudará o meu negócio, a agropecuária brasileira e a indústria e os serviços antes e depois das porteiras das fazendas.

Por que não Bolsonaro, mesma estirpe e estupidez, mas produto nacional? Um “cover” de grossura semelhante.

Ao mencionarem suas mãos pequenas, Trump retrucou: “o resto não é tão pequeno, lhe garanto”. Nenhuma surpresa para quem vive se referindo às mulheres com desprezo. É rico, faliu algumas vezes, salvo por negócios mafiosos.

Estimados leitores, o momento, não só no Brasil, é de extrema gravidade. Em todo o planeta o capitalismo conflui para um choque de interesses que ameaça a sobrevivência econômica, social e ambiental de inúmeros países e regiões.

Bem informados, vocês veem o quanto se estuda, debate, escreve, e nada de conclusão. Os caminhos econômicos se assentam em bases autofágicas, que garantam maior concentração de riqueza no cume da pirâmide (o topo é muito amplo para o grau atual).

Não é hora de brincar com bufões como Trump, Berlusconi, Le Pen (pai e filha), Vladimir Putin. Nem aqui com golpistas. Soluções que não sejam distributivas e essencialmente pró-diversidades aniquilarão qualquer modelo de desenvolvimento do planeta.

O momento brasileiro mostra divisão inédita de ódios e preconceitos. Achar que manifestações amarelas ou vermelhas farão a economia e o desenvolvimento social caminharem é ideia pueril, divertente apenas.

Tomem jeito e continuem a construir nossa incipiente democracia.