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Lance Armstrong, chegou a hora de dizer até onde era verdade

por The Observer — publicado 15/01/2013 09h13, última modificação 15/01/2013 10h04
Se a entrevista do ciclista a Oprah na quinta-feira à noite modificar 14 anos de negação, haverá sérios pedidos de desculpas

Se a entrevista do ciclista para a apresentadora Oprah Winfrey, na quinta-feira à noite, modificar 14 anos de negação, haverá sérios pedidos de desculpas, tendo em vista tudo o que ele disse e escreveu nos últimos anos. De acordo com o USA Today, .

ARMSTRONG SOBRE DOPING

Eu estive em meu leito de morte, e não sou idiota. Posso dizer enfaticamente que não uso drogas. Pensei que um ciclista com minha história e minha situação de saúde não causaria tanta surpresa. Não sou um ciclista novo. Sei que estão olhando, bisbilhotando e escavando, mas vocês não vão encontrar nada. Não há nada para encontrar, e quando todo mundo tiver feito suas diligências e perceber que precisam ser profissionais e não podem publicar um monte de merda, vão perceber que estão lidando com um cara limpo. Final da etapa 14, Tour de France, 1999

O doping é um fato infeliz na vida do ciclismo, ou em qualquer outro esporte de resistência. Inevitavelmente, algumas equipes de ciclistas acham que é como as armas nucleares -- que eles têm de fazer isso para se manter competitivos no pelotão. Eu nunca senti isso, e certamente a ideia de colocar qualquer coisa estranha em meu corpo era especialmente repulsiva. It's Not About the Bike, 2000

Este corpo é meu, e posso fazer o que eu quiser com ele. Posso forçá-lo, estudá-lo, prepará-lo, escutá-lo. Todo mundo quer saber o que eu tomo. O que eu tomo são seis horas em cima da bicicleta esfolando minha bunda todos os dias. O que vocês tomam? Comercial da Nike, 2001

A última coisa que vou dizer para as pessoas que não acreditam no ciclismo, os cínicos e os céticos: sinto muito por vocês. Sinto que vocês não consigam sonhar alto. Sinto que vocês não acreditem em milagres. Mas esta é uma corrida espetacular. Este é um grande evento esportivo e vocês devem apoiá-lo e acreditar nele. Vocês devem acreditar nesses atletas e devem acreditar nessas pessoas. Eu serei um torcedor do Tour de France enquanto eu viver. E não há segredos -- este é um evento esportivo duro, e vence o trabalho duro. Anunciando a aposentadoria, depois de ganhar o sétimo Tour de France, 2005

Se vocês considerarem minha situação: um cara que possivelmente volta de uma sentença de morte, vocês sabem, por que eu entraria em um esporte e me doparia para pôr minha vida em risco novamente? Isso é loucura. Eu jamais faria isso. Não. De modo nenhum. Em Larry King Live, CNN, 2005

SOBRE INTIMIDAÇÃO

As acusações dele não são boas para o ciclismo, para sua equipe, para mim, para ninguém. Se ele acha que o ciclismo funciona assim, ele está enganado e seria melhor que fosse para casa. Depois de perseguir e enfrentar Christophe Bassons, um corredor limpo da Festina, que havia condenado a cultura do doping do ciclismo, no Tour de France, 2000

Um sujeito como Simeoni, tudo o que ele quer é destruir o ciclismo, e para mim isso não está certo. Ele é o tipo de ciclista que ataca o pelotão e o ciclismo em geral. Depois de perseguir e eliminar as chances de Filippo Simeoni vencer uma etapa. Simeoni havia questionado o relacionamento de Armstrong com o doutor Michele Ferrari e esboçou a participação do médico em seu próprio regime de doping. No Tour de France, 2004

 SOBRE A DOAÇÃO À UCI

Não é minha posição ou meu modus operandi anunciar o que faço. Por isso, se eu doei dinheiro para a UCI [União Internacional de Ciclismo] para combater o doping, reforçar os controles e financiar pesquisas, não é minha função emitir um comunicado de imprensa. É uma coisa secreta, porque é a coisa certa a se fazer. O doping sempre existiu. Não começou em 1998. Ele existiu desde a primeira Olimpíada e provavelmente ainda antes. Sempre existiu uma maneira de andar mais depressa. E o doping nunca vai desaparecer. Então, é um processo em curso e um combate em curso. Eu acho que todos temos de nos envolver, seja através de palavras, ações ou financiamento. Entrevista à Eurosport, 2005

 SOBRE A AGÊNCIA MUNDIAL ANTIDOPING

Eu já disse antes e vou repetir: acredito que sou o atleta mais testado deste planeta, nunca tive um único teste de doping positivo e não tomo drogas para melhorar o desempenho. No fim das contas, não me importo com o que ninguém diz, o ciclismo fez mais que qualquer esporte para solucionar o problema do doping. Respondendo a Dick Pound, presidente da Wada [Agência Mundial Antidoping], que havia dito que o público sabia que os ciclistas do Tour usavam doping, 2004

Os fatos revelados no relatório do investigador independente mostram um padrão de má conduta internacional de autoridades da Wada, destinado a atacar qualquer um que os desafie, seguido de uma tentativa de esconder seus erros. Essa conduta de Pound é apenas a última em uma longa história de transgressões éticas e violações dos direitos dos atletas. Pedindo a demissão de Pound do Comitê Olímpico Internacional depois que o relatório Vrijman disse que a Wada declarou Armstrong culpado de não passar em um teste em 1999, sem fundamentos adequados, 2006

SOBRE OS QUE O DESAFIARAM

É a nossa palavra contra a palavra dele. Eu gosto de nossa palavra. Nós gostamos de nossa credibilidade. Floyd perdeu a credibilidade muito tempo atrás. Depois que Floyd Landis alegou que o doping era sistemático e lugar-comum na Equipe Postal dos EUA, 2010

Quando você estiver no banco das testemunhas, vamos destruí-lo. Você vai parecer um completo idiota. Eu vou tornar sua vida um maldito inferno. Para seu ex-colega de equipe Tyler Hamilton depois que ele anunciou que ia cooperar com o inquérito da Usada, 2011

É 100% fabricado. [Ela é motivada por] amargura, ciúme e ódio. Sobre o depoimento de Betsy Andreu, mulher do ex-colega de equipe Frankie, 2007

Furiosa comigo, furiosa com Johan [Bruyneel, diretor-gerente da US Postal], realmente furiosa com Johan, furiosa com a equipe. Explicando por que Emma O'Reilly, ex-assistente da equipe, havia falado sobre o doping de Armstrong para David Walsh, em LA Confidential, 2005

Maldito Walsh, maldito duende que enfeitiça as pessoas, mentiroso. Eu ganhei seis Tours. Eu fiz tudo o que podia fazer para provar minha inocência. Além do ciclismo, fiz muito mais que qualquer pessoa nesse esporte. Para ser alguém que se espalhou sobre muitas áreas, para possivelmente ser alguém que as pessoas desta cidade, deste estado, deste país, deste mundo possam considerar um exemplo. E sabe o quê? Elas nem sequer sabem que é David Walsh. E nunca saberão. E daqui a 20 anos ninguém vai se lembrar dele. Ninguém. Para o escritor Daniel Coyle, 2004

Entrevista de Oprah Winfrey com Lance Armstrong, quinta-feira 17 (21–22h30 no horário do Leste dos EUA), em oprah.com

 

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