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Política

Rio 2016

Torcedores alemães ignoram final do futebol olímpico

por Deutsche Welle publicado 21/08/2016 02h56, última modificação 21/08/2016 02h56
Nos bares da antiga capital Bonn, poucos davam atenção à partida na tevê. Para os alemães, não faz sentido falar em revanche da Copa
J.P.Struck/DW
Torcedores em Bonn

Tradicional ponto de encontro de torcedores em Bonn, bar fica praticamente deserto durante a final

Sábado à noite em Bonn, a antiga capital da Alemanha Ocidental. Nos poucos bares que resolveram ligar suas tevês, boa parte das mesas está vazia. A maioria dos clientes prefere simplesmente conversar. Poucos prestam atenção ao jogo que se desenrola.

"Se fosse uma partida de Eurocopa ou até um jogo qualquer da Bundesliga (o campeonato alemão), este lugar estaria lotado", diz Ricardo Salgado, um equatoriano que vive há mais de 20 anos na Alemanha e é gerente de um bar no sul da cidade, tradicional ponto de encontro de torcedores.

"Acho que os Jogos Olímpicos não têm o mesmo apelo. As pessoas preferem ver as disputas em casa", diz, enquanto observa por alguns minutos o duelo entre as seleções olímpicas do Brasil e da Alemanha, que ocorre dois anos depois do malfadado 7 a 1 da Copa de 2014.

No bar vizinho, o assistente social Andreas Spaett, de 49 anos, é um dos poucos alemães que assiste à partida com atenção. "Estive no Brasil em 2014 para ver a final da Copa. Foi emocionante. Já o clima agora não poderia estar mais diferente. Estou até surpreso com a pouca importância que as pessoas aqui estão dando. Imagino que essa partida é importante para os brasileiros, mas aqui simplesmente não está tendo a dinâmica de uma final de campeonato", diz. "Se perdermos, vai ser simplesmente uma derrota numa Olimpíada".

No mesmo bar, o brasileiro Francisco Tigre Moura, de 35 anos, um professor que vive na cidade há três anos, tenta explicar a indiferença dos alemães. "Eles não conhecem essa seleção olímpica. Os ídolos do futebol alemão não foram convocados. O jogo não foi um assunto entre as pessoas nos últimos dias", diz Moura, que veste uma camisa da seleção brasileira para acompanhar a partida.

A presença de alguém com uma camisa canarinho num bar eleva o contraste com os clientes que estão vestindo roupas comuns. Neste sábado, era uma cena rara encontrar alguém usando uma camisa da seleção alemã pelas ruas de Bonn. O comportamento dos torcedores locais não poderia ser mais diferente do que o observado durante a Eurocopa, que aconteceu há pouco mais de dois meses.

Desta vez, nada de bandeiras do país nas janelas e gritos de torcida. Até mesmo quando a seleção alemão empatou a partida, no segundo tempo, o resultado não despertou nada mais que alguns poucos gritos no bairro boêmio da cidade.

"Eu estou vendo essa partida porque o goleiro do meu time, o FC Colônia, está jogando", diz o vendedor Stephan Mathias, de 29 anos, única pessoa de um grupo de amigos que presta atenção ao jogo em um pub do centro de Bonn. "A gente sabe que os Jogos Olímpicos não são a mesma coisa. Quase não há estrelas nesse time. O apelo é muito menor", diz.

Quando o jogo passa a ser decidido nos pênaltis, já de madrugada no horário local, a clientela do pub parece mais interessada, mas mesmo os gols alemães foram celebrados com economia. Depois da derrota do time nacional, poucos demonstram entusiasmo em comentar a partida.

"Não dá pra falar de revanche ou vingança do Brasil por 2014. Se nós tivéssemos jogado com o time principal, aposto que teríamos ganhado. Uma revanche só vai valer em Copa do Mundo, e não com esse time desses", afirma Maith.

Fim da partida. Os poucos que acompanharam o jogo voltam suas atenções para os seus copos e amigos. Outros passam a assistir a outras disputas olímpicas que são transmitidas pela tevê.

A poucos quarteirões dali, numa rua quase deserta do centro de Bonn, o cozinheiro brasileiro Carlos Moreira, de 52 anos, tenta puxar uma celebração com a vitória da seleção agitando de maneira solitária uma bandeira do Brasil.

Seus amigos alemães observam a cena da calçada e cutucam: "Você sabe que esse resultado não é a mesma coisa que a Copa do Mundo", gritou o assistente social Sener Kansu. Moreira admite que o jogo não despertou muito o interesse dos alemães. "Eu tentei agitar nos últimos dias que isso era uma revanche, mas pouca gente deu importância. Mas, e daí? Pelo menos diminuímos um pouco o 7 a 1", diz.

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