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Economia brasileira

Em recuperação

por Delfim Netto publicado 25/09/2012 11h07, última modificação 06/06/2015 18h41
Os estímulos e programas lançados são promissores. Com eles, há razões para imaginar uma taxa de crescimento de 4,5% em 2013

A economia brasileira vai crescer menos neste ano. Essa é uma realidade. Houve uma redução muito forte dos investimentos e uma ação intensa do Banco Central no início de 2011 para evitar o crescimento da inflação. A partir daí acumularam-se vários fatores e o crescimento perdeu velocidade. Não só por motivos internos, mas também por fatores externos nada desprezíveis.

Não se deve perder de vista: a crise deflagrada há quatro anos interrompeu o circuito econômico no planeta Terra, detonando (por baixo) 5% do PIB mundial, deixando desempregados 50 milhões de honestos trabalhadores nas fábricas, nas fazendas, no comércio e em todas as áreas de prestação de serviços, uma tragédia continuada que mantém um estado de grave inquietação social longe de dissolver-se.

Basta observar que a sublevação Occupy Wall Street, apesar de duramente reprimida, deu a volta ao mundo e retorna ao local do crime dividindo o espaço “nobre” na mídia mundial com as cenas de revolta das diferentes “primaveras” atribuídas indistintamente ao fundamentalismo religioso, quando (no meu fraco entender) têm forte estímulo no desemprego e na fome.

Em todo o processo, para o qual parece não haver uma causa eficiente, quase nenhum suporte foi dado aos que até agora sofrem as consequências do malfeito, os 50 milhões de americanos, europeus, africanos e asiáticos que foram às ruas recusando-se a pagar as “falhas” dos governos, que, eventualmente, corrigirão nas urnas, e menos ainda pelas falcatruas do mercado financeiro, cujos responsáveis esperam ver julgados e condenados pela Justiça.

A exceção mais notável nesse processo foi de um governo ao Sul do Equador que surpreendeu o mundo. Não foi por gentileza que Obama, líder da maior potência, apontou Lula aos demais chefes de Estado em um dos momentos mais agudos da crise e disse: “Este é o cara!”... Reconhecia que o então presidente tinha feito a coisa certa (cuidado do emprego de sua gente), enquanto a maioria cuidou da salvação da banca, em primeiro lugar.

O fato é que o Brasil tem se saído muito melhor na travessia da crise, crescendo menos do que habitualmente, mas sem desempregar sua gente. O resto do mundo, apesar dos tímidos sinais de que administraria um pouco melhor a crise, na verdade passou a crescer ainda menos. E nós, como somos parte do mundo, recebemos os efeitos do baixo crescimento universal, reduzindo também o ritmo.

Hoje, o mais importante é estarmos em um processo de recuperação. As empresas voltaram a investir e isso é básico, pois o crescimento depende dos investimentos privados. É preciso o empresário acreditar na disponibilidade do crédito para poder tocar os seus negócios normalmente. E que o investimento em infraestrutura, fundamental, receberá o suporte do governo, do investimento público.

Obviamente, não há os recursos necessários nos cofres públicos para fazer os investimentos em infraestrutura, por isso é importante apoiar as decisões da presidenta Dilma de retomar as concessões, de colocar em leilão os projetos de obras públicas em grande número nos segmentos da construção de rodovias e ferrovias, nas instalações portuárias, atraindo os investidores privados para os setores de infraestrutura, cujo efeito é muito grande, decisivo mesmo, na aceleração do crescimento econômico.

Com as medidas para baixar as taxas de juro e a ampliação do crédito, além de alguns benefícios fiscais, os sinais da volta do crescimento já são visíveis. Com os programas em andamento e os estímulos que o governo vem sabendo oferecer aos empreendimentos privados, vamos poder ampliar o ritmo.

Na comparação do quarto trimestre de 2011 e o quarto trimestre de 2012, a economia, espera-se, virará o ano com o PIB crescendo entre 3,8% e 4%. E depois, graças às medidas já adotadas e com o efeito dos novos investimentos, há razões para imaginar o crescimento em torno de 4,5%, em 2013.

O Brasil terá passado o pior momento da crise e retomado o seu ritmo normal de desenvolvimento, mantendo a sua posição de sexta economia mundial.

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