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Tecnologia

Liberdade na web

'A Internet nunca esteve tão ameaçada', diz co-fundador do Google

por Redação Carta Capital — publicado 16/04/2012 15h40, última modificação 06/06/2015 18h22
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Sergey Brin afirma que Facebook e Apple contribuem para a censura na web desejada por diversos governos como os EUA e a China
SOPA

Em janeiro, estadunidenses saíram às ruas para rejeitar o projeto de lei SOPA , que pretendia manter a propriedade intelectual e barrar a pirataria e liberdade do uso da informação na Internet. Foto: Janek Akarzynski/AFP

As interferências dos governos e as políticas da Apple e do Facebook são a maior ameaça à Internet aberta em toda sua história. A conclusão é de Sergey Brin, co-fundador do Google. Ele manifestou sua preocupação em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

“Existe um alinhamento de forças poderosas contra a Internet aberta em todo o mundo”, disse ao Guardian. “Estou muito mais preocupado do que estive no passado. É assustador”, afirmou.

Brin culpa o Facebook e a Apple pelo que chama de construção de um ‘jardim murado’. Segundo ele, esse "jardim murado" é erguido pelas empresas por meio do rígido controle dos softwares que podem ou não ser usados em suas plataformas. Segundo Brin, restrições desse tipo colocam em risco as inovações na Internet. O co-fundador do Google mostra afirma que, se a Internet fosse dominada pelo Facebook, ele e Larry Page não poderiam criar o Google e sua ferramenta de busca.

Censura pelo mundo

A censura na web é especialmente forte em países com um regime político fechado, como a China e Rússia. Recentemente, o dragão asiático introduziu regras de ‘identidade real’ na tentativa de conter microbloggers que se tornaram críticos ao regime. Enquanto isso, na Rússia, blogueiros que ajudaram a fomentar protestos contra  o presidente eleito Vladimir Putin estão enfrentando crescente pressão do Kremlin.

Ao mesmo tempo, iniciativas similares tramitam nos órgãos legislativos de países ocidentais. Para Ricken Patel, co-fundador do Avaaz (uma rede com 14 milhões de ativistas no mundo), os governos estão percebendo o poder destes meios de organizar as pessoas e estão tentando reprimi-los pelo mundo, não apenas em nações como a China e a Coreia do Norte. “Estamos vendo projetos de lei, nesse sentido, nos Estados Unidos, na Itália e pelo mundo", disse. No Reino Unido, o governo anunciou planos para monitorar o uso de email e das redes sociais pelos cidadãos.

Na entrevista ao Guardian, Sergey Brin também confessou a intromissão do governo dos Estados Unidos em seu banco de dados. Segundo ele, o Google foi forçado a liberar informações para o governo americano e, algumas vezes, nem mesmo informou seus usuários sobre isso.

Brin também admitiu estar errado sobre a capacidade dos governos de controlar a liberdade na Internet. “Achei que não fosse possível colocar o gênio de volta na lâmpada, mas agora vejo que, em certas regiões, o gênio, de fato, voltou para a lâmpada”, disse Brin, citando a China, Arábia Saudita e Irã como as maiores ameaças.

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