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Manifesto: Eu apoio a legalização do aborto

Neste 8 de março, lutamos pela legalização do aborto e pela vida das mulheres.
por Djamila Ribeiro publicado 02/03/2016 11h59
Fernando Frazão/Agência Brasil
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A cada dois dias uma mulher morre em decorrência do aborto clandestino

Muito se tem debatido acerca da legalização do aborto, uma reivindicação antiga dos movimentos feministas. Recentemente, por conta das ocorrências de zika vírus, o debate se ampliou.

Acredito que o manifesto organizado pelo Coletivo Juntas é o que mais se aproxima daquilo que penso e acredito. Por este motivo, replico aqui para que possamos refletir sobre esse debate e apoiar as propostas que visam respeitar as escolhas das mulheres:  

A legalização do aborto é uma reivindicação histórica das mulheres. Porém, há momentos em que o debate sobre o tema ganha mais força e extrapola os limites do próprio movimento.

Estamos vivendo um destes momentos, pois estamos em meio a uma grave crise de saúde pública no Brasil, escancarada pela epidemia de zika vírus e o completo descaso e despreparo com o qual o Ministro da Saúde, Marcelo Castro (PMDB-PI), e todo o governo vêm tratando do tema.

Por isso, acreditamos que é um momento fundamental para que a sociedade se abra para debates francos, livres de hipocrisias, encarando com responsabilidade a triste sina a que são condenadas as brasileiras pobres, de um país que historicamente abandona as mulheres à própria sorte, sem acesso à informação, apoio e serviços e sem direito de decidir sobre a maternidade.

As ocorrências de zika vírus estão associados à pobreza. O mosquito transmissor Aedes aegypti se desenvolve nos locais onde as condições sanitárias são mais precárias, onde vivem mulheres pobres.

A lógica da maternidade compulsória e as consequências do aborto ilegal no Brasil recaem justamente sobre estas mulheres, de muito baixa renda, que não têm acesso a uma rede de saúde de qualidade, a maternidades públicas, creches, escolas e profissionais preparados, emprego e rendas dignos.

Elas são as grandes vítimas do aborto clandestino, pois recorrem a meios inseguros para conseguir interromper a gestação, visto que não têm condições financeiras para ter acesso a clínicas particulares.

Diante desse cenário, a antropóloga Débora Diniz está movendo uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o Brasil amplie sua legislação relativa ao aborto e aos direitos sexuais e reprodutivos. O projeto leva em consideração três aspectos:

1) Exigir do governo medidas eficientes sobre o combate à epidemia;

2) Respeitar o direito da mulher de escolha;

3) Garantir uma vida digna e com direitos garantidos para as mulheres que escolherem prosseguir com a gravidez.

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O poder público precisa garantir o direito de escolha, à saúde e dignidade de mães e filhos

A ação reafirma a autonomia da mulher, cobra responsabilidades do Estado, exigindo a garantia de direitos tanto para a mulher que decide prosseguir quanto para a que decide interromper a gravidez. 

Nós, que assinamos este manifesto, apoiamos esta ação movida no STF. O poder público precisa garantir o direito de escolha, a saúde e a dignidade dessas mães e filhos.

Apoiamos também a legalização do aborto no Brasil. São aproximadamente 1 milhão de mulheres que abortam todos anos no Brasil. E a cada dois dias uma mulher morre em decorrência do aborto clandestino, sendo a quarta maior causa de morte materna do país.

Pelo direito à escolha; para que o poder público forneça todas as condições necessárias para as mulheres que optarem pela maternidade; para que nenhuma brasileira  tenha que morrer em clínicas clandestinas ou em casa, desamparadas e com medo. Neste 8 de março, dia internacional de luta das mulheres, lutamos pela legalização do aborto. Pela vida das mulheres.

Carol Patrocínio

Débora Diniz – Instituto Anis

Djamila Ribeiro

Fernanda Melchionna

Lola Aronovich

Luciana Genro

Marcia Tiburi

Manoela Miklos – #AgoraQueSãoElas

Nana Queiroz – Revista AZMinas

Rosana Pinheiro-Machado

Rosângela Aparecida Talib – Católicas pelo Direito de Decidir

Sâmia Bomfim – Coletivo Juntas

Stephanie Ribeiro

Yasmin Thayna, cineasta e diretora do Kbela

Maíra Kubik Mano – Professora UFBA e colunista da Carta Capital

Heloisa Buarque – Professora FFLCH- USP

Maíra T. Mendes – Professora UESC

Annie Hsiou – Professora FFCLRP-USP

Linnesh Ramos – Professora UEFS

Marcela Rufato – Professora UNIFAL

Lucília Daruiz Borsari – Professora do IME-USP

Suzana Salém Vasconcelos – Professora do IF-USP

Elaine Martins Moreira – Professora UFRJ

Katianny Santana Gomes Estival – Professora UESC

Daniela Galdino – Poeta e docente da UNEB

Beatriz Bissio – Professora IFCS-UFRJ

Eloísa Martín – Professora IFCS-UFRJ

Mylene Mizrahi – Professora IFCS-UFRJ

Anna Marina – Professora IFCS-UFRJ

Bila Sor – Professora IFCS-UFRJ

Karina Kuschnir – Professora IFCS-UFRJ

Maria Barroso – Professora IFCS-UFRJ

Janaina Bilate – Professora ESS-UNIRIO

Milene Ávila – professora da UESC

Lara Nasi – Professora Unijuí

Luana Rosário – professora UESC

Monica Tavares – Professora USP

Joana Salém Vasconcelos, historiadora e doutoranda pela USP

Renée Avigdor, doutora em Sociologia pela USP

Ana Tanis, psicóloga e professora de Ensino Fundamental

Ana Rosa Abreu, diretora de educação do Instituto Vladimir Herzog

Bruna Pastore, psicóloga e professora de Educação Infantil

Sandra Muñoz, Marcha das Vadias-Salvador

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