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Inteligência, e não força

por Redação Carta Capital — publicado 18/11/2012 07h41, última modificação 18/11/2012 07h41
Como em uma fábula, o ratinho veloz do futebol, Lionel Messi, derruba recordes e faz confundir a vida real com desenho animado
messi

O craque do Barcelona Lionel Messi. Foto: Lluis Gene/AFP Photo

Por Afonsinho

Lionel Messi derruba quase todos os recordes como faz com os adversários nas partidas do Barcelona. Apesar de tudo, sua marca maior é a simplicidade como joga e vive, um supercraque em tempos de louvação da imagem. Vale mais o que parece ser, a aparência. Messi contraria tudo o que não é essencial e se torna uma referência ainda mais importante em nossos dias, de contrastes cada vez mais escandalosos. Muita fantasia e pouca máscara. Aquele ratinho veloz faz confundir o real com desenho animado. Que monstros ameaçadores podem estar por trás daquela floresta de troncos gigantes? Com astúcia, o ágil e esperto pode vencer. Uma fábula. São assim as grandes mudanças.

E se o pequeno virar monstro dentro do Maracanã? Melhor não acreditar em fantasmas. O mais importante, para mim, é o fato de Messi representar a liberdade neste tempo de brutalidades. Confiança no homem, confiança em si mesmo, nos limites e na capacidade de sonhar da vida humana. Esperança. Lembro-me de uma declaração do Wladimir, um dos bravos da Democracia Corintiana: “Ainda acredito que a inteligência é mais importante do que a força no futebol. O Sócrates nos deixou esse legado”.

Na simplicidade das coisas naturais, a beleza e o encantamento da vida. O mundo não vai acabar no fim do ano. Não acabou o campeonato, e o Fluminense já é campeão. O tricolor carioca levanta o título brasileiro de 2012 e não deixa dúvidas. Foi melhor em quase tudo. Desaparecem como fumaça as queixas maçantes sobre arbitragens, que ameaçaram azedar o campeonato. Fala-se muito em bom ambiente e na camaradagem do elenco tricolor. Tomara. Esse parece ser o principal valor de um time campeão. Harmonia.

Declarada a superioridade do time das Laranjeiras. Setores azeitados dentro e fora do campo. Ninguém força a barra para aparecer. O lustro para os craques de verdade, do sensacional goleiro Cavalieri (o nome ajuda) ao centroavante Fred, ambos convocados para Seleção Brasileira com a justiça que faltou a outros nomes relacionados. Com o Vasco, deu-se o contrário.

O ambiente, que era melhor no Rio de Janeiro, talvez consiga sustentar um final honroso aos jogadores, mas a cartolagem mostrou a “cara”. Outros clubes tinham pontos fortes e buracos enormes em outros setores, dentro e fora dos gramados.
O Palmeiras é o exemplo mais evidente. Tinha nomes excelentes em seu elenco, como Valdívia e Barcos. Maltratado o trabalho do Marcos Assunção. Mesmo sendo volante de ­ofício, assumiu a liderança do time com técnica apurada e larga experiência. Ficou prejudicada também a excelente revelação do César Sampaio como executivo. Felipão pulou do barco e chegou de bote à praia, onde aguarda os acontecimentos. Foi preciso muita incompetência da cartolagem para arrastar o campeão da Copa do Brasil nas ­últimas colocações.

A goleada do tricolor paulista diante do Universidad chileno fez mal. Perdeu a segunda colocação no Campeonato Brasileiro. O Grêmio ocupou o lugar e mostrou a baixa qualidade da disputa. Mesmo desfalcado de jogadores importantes, a distância do campeão para as demais equipes foi sintomática.

O Flamengo respira aliviado. Zinho salvou-se da fogueira em que entrou. Ocupou o espaço importante na ligação dos profissionais com a direção. Revela a necessidade de o esporte profissional ser feito por alguém que viveu dentro do campo.

A esse respeito, deu exemplo de humildade o grande Del Bosque, treinador da Espanha. Recorreu a conselhos de profissionais da psicologia para administrar desavenças no seio da seleção campeã do mundo. Imagina-se a guerra de egos, ainda mais com a polarização dos dois times que se revezam na disputa local. Torna-se oportuna a definição do papel do treinador no atual estágio de profissionalismo esportivo. Não há mais espaço para um todo-poderoso, o “homão” de antigamente.

Também perdem espaço os volantes que só marcam, erram passes e dão pontapés, os populares cabeças de prego. Não confundam, porém, com os armadores, de mais recursos e capacidade ofensiva.
Definições de fim de ano. Esperam na janela Abel, Murici, e Ney Franco. Felipão também, mas este como coordenador. Melhor momento para o campeão brasileiro. Outros trabalham em São Paulo, estão mais perto. Enquanto isso, o Mano vai se segurando.

Congratulações. Parabéns, Paulinho da Viola, pela merecida felicidade por seus 70 anos de vida. A alegria é nossa. Muita saúde!

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