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Política

Jogo do bicho

Senadores cobram explicações de Demóstenes Torres

por Redação Carta Capital — publicado 27/03/2012 10h05, última modificação 27/03/2012 11h07
Situação do líder do DEM no Senado se complicou com a divulgação de que teria recebido dinheiro do jogo do bicho
Demostenes

Demóstenes Torres trocou quase 300 telefonemas com Cachoeira, quem deu uma cozinha de 27 mil dólares ao senador e foi preso pela Polícia Federal. A explicação de Torres virou piada na internet. Foto:José Cruz/ABr

Por Mariana Jungmann*

 

Um grupo de senadores cobraram na terça-feira 26 que o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), explique a sua relação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, que está preso. Demóstenes discursou na tribuna do plenário no dia 6 de março e admitiu que era amigo de Carlinhos, mas que não praticou nenhuma atividade ilícita.

“Nós não podemos tapar o sol com a peneira. Esta casa da Federação não terá moral para notificar, para convidar, para intimar qualquer cidadão a depor em suas comissões, se nós não ouvirmos os esclarecimentos do senador Demóstenes”, discursou o senador Pedro Taques (PDT-MT).

O senador Jorge Viana (PT-AC), que manifestou apoio a Demóstenes no início de março, disse que desde o discurso de Torres as coisas “se agravaram muito”. Até o dia 6 de março as denúncias publicadas na imprensa diziam que ele tinha recebido eletrodomésticos de presente de casamento de Carlinhos Cachoeira e trocado centenas de telefonemas com o bicheiro. De lá para cá, novas reportagens apontam que Demóstenes se comunicava com Cachoeira por meio de um telefone habilitado nos Estados Unidos, para evitar grampos. Além disso, há denúncias de que o senador teria recebido dinheiro proveniente do jogo do bicho.

Os senadores Álvaro Dias (PSDB-PR) e Eduardo Braga (PMDB-AM) foram mais cautelosos. Para Dias, o colega de oposição já está sendo investigado e já deu explicações. “Quando nós reivindicamos a presença de um ministro, quando nós encaminhamos à Procuradoria-Geral da República representações, nós o fazemos porque autoridades públicas denunciadas não estão sendo investigadas. Não é o caso do senador. Segundo a imprensa veiculou, esse inquérito tem três anos. A investigação se dá, portanto, há cerca de três anos, e o próprio senador, no dia 6 de março, daquela tribuna, pediu que fosse investigado”.

 

Já para o líder do governo, Eduardo Braga, o caso de Demóstenes não configura quebra de decoro parlamentar e, portanto, não deve ser tratado pela Comissão de Ética do Senado. “Espero que esse processo não seja politizado. Ele é de natureza criminal, não é de decoro. E deve ser tratado na instância correta [o Supremo Tribunal Federal]”.

Um grupo de senadores, entre eles o líder do PT, Walter Pinheiro (BA), encaminhou um pedido à Procuradoria-Geral da República para que ela repasse as gravações grampeadas pela Polícia Federal entre Cachoeira e o senador. Como o procurador-geral Roberto Gurgel ainda não respondeu ao pedido, eles irão pessoalmente na à procuradoria cobrar as gravações.

*Matéria publicada originalmente em Agência Brasil 

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