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"Eu não vou baixar a cabeça", diz Lula após ação da PF

por Redação — publicado 04/03/2016 16h01, última modificação 04/03/2016 16h06
Alvo da Lava Jato, ex-presidente promete retomar ação política e abre a possibilidade de ser candidato mais uma vez
Paulo Pinto / Fotos Públicas
Luiz Inácio Lula da Silva

Lula durante pronunciamento: ele abriu a possibilidade de ser candidato novamente

Horas depois de ser alvo da 24ª fase da Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez pronunciamentos na tarde desta sexta-feira 4, na sede do Diretório Nacional do PT, em São Paulo, na qual partiu para o embate político. Lula afirmou que não teme as ações judiciais contra ele, disse que é hora de o PT levantar a cabeça e deixou claro que cogita a possibilidade de voltar a ser candidato a presidente da República. 

Lula fez críticas à decisão do juiz Sergio Moro, que centraliza as investigação da Lava Jato em Curitiba, de expedir mandados condução coercitiva contra ele e algumas pessoas de seu círculo próximo e de busca e apreensão contra o Instituto Lula e a LILS, sua empresa de palestras.

"Vivemos um processo em que pirotecnia vale mais que qualquer coisa", disse Lula. Segundo Lula, bastava a Justiça convidá-lo que ele prestaria depoimento, como já fez em outras oportunidades.

Lula acusou "parcelas do Judiciário" e "parcelas da imprensa" de trabalharem "em associação" para "criminalizar o PT" e ele próprio e criticou o fato de manchetes de "alguns órgãos de imprensa" servirem para condenar algumas pessoas antes do processo judicial.

O ex-presidente atribuiu o que vê como uma campanha contra ele a setores "incomodados" com o fato de grandes camadas da população terem "subido um degrau" durante seus governos. E disse ver um preconceito de classe em tentativas de criminalizar o uso de imóveis de amigos, como seria o caso do polêmico sítio em Atibaia. “Todo mundo pode, menos essa merda desse metalúrgico que resolveu desafiá-los”, disse Lula ao lado representantes do PT, do PCdoB, da CUT e da UNE, entre outros.

Lula acena a apoiadores em uma das janelas do Diretório Nacional do PT, no centro de São Paulo, nesta sexta-feira 4

Lula elogiou o "tratamento cortês" dos policiais federais que foram a sua casa nesta sexta-feira, mas se disse "ultrajado" pela ação e "indignado com o que fizeram com a minha família e com meus companheiros do Instituto Lula e do PT". Diante disso, afirmou: "Não vou baixar a cabeça".

Para Lula, "o que aconteceu hoje [sexta-feira] era o que era necessário para o PT levantar a cabeça". "E só há um jeito de levantar a cabeça, que é não ter medo", afirmou. Assim, Lula prometeu rodar o país em eventos políticos e disse "não saber" se será candidato por conta de sua saúde, mas deixou a aberta a possibilidade. "Se quiseram matar a jararaca, bateram no rabo e não na cabeça, então a jararaca está muito viva", afirmou.