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Divergências internas dificultam avanço da oposição na Síria

por Deutsche Welle publicado 20/05/2013 10h30, última modificação 26/06/2013 12h40
Oposição se encontra cada vez mais dividida. Único objetivo comum é a queda do regime. Brigas antes ideológicas se ampliam para discordâncias estratégicas e sectárias, emperrando avanço dos rebeldes
STR/ AFP Photos
Síria

Rebeldes abrem fogo contra tropas do governo em Aleppo, no nordeste do país, em maio

Quem luta na Síria e para quê? Essa questão preocupa analistas políticos em todo o mundo. Mas eles até agora não conseguiram encontrar respostas inequívocas. Pois os nomes dos principais grupos e coalizões são conhecidos, mas o equilíbrio de poder dentro destes grupos muda constantemente.

Vez por outra, eles colocam em destaque uma ou outra liderança política, das quais muitas tornam a desaparecer logo em seguida. Divergentes em assuntos ideológicos e táticos, poucas vezes os líderes da oposição síria alcançam um acordo quanto a um rumo comum. Atualmente, não chegam sequer a um consenso sobre a participação na conferência internacional sobre a Síria, organizada pelos EUA e a Rússia para o final de maio.

A falta de união já data desde os primeiros dias do levante, ressalta o analista político sírio Barah Mikail, da Fundação de Relações Internacionais e Diálogo Exterior (Fride), sediada em Madri. "No princípio, era possível observar uma divisão sobretudo ideológica, na qual forças seculares e islâmicas se contrapunham." Em seguida, as diferenças estratégicas ganharam cada vez mais relevância. "Alguns grupos são a favor de uma intervenção militar direta, enquanto outros são contra. Outros ainda querem um exército conjunto de todos os rebeldes, que deve ter o único a ter acesso às armas."

Radicalismo cresce

Um cisma profundo corta as fileiras da oposição síria. O grupo mais influente, fundado em novembro de 2012, é a Coalizão Nacional Síria da Oposição e Forças Revolucionárias, que reúne grupos tão diversos como a conservadora Irmandade Muçulmana e os comitês de coordenação laicos, assim como vários grupos étnicos e religiosos. Além disso, a Coalizão Nacional coopera com o Exército Livre Sírio, o braço armado da oposição, o qual, por sua vez, também é formado por grupos frouxamente ligados entre si. Muitas vezes, o que os une é pouco mais além de um nome.

As tensões dentro da Coalizão Nacional já são consideráveis, porém, maiores ainda são os conflitos de interesse entre grupos seculares e muçulmanos moderados, de um lado, e, do outro, forças islâmicas radicais, muitas vezes provenientes do estrangeiro. "É preciso distinguir muito claramente", explica Peter Harling, perito em Síria do think-tank International Crisis Group, especializado em análise de conflitos internacionais.

Ele afirma que há também oposicionistas sírios que agem sob a bandeira do Islã, mas, muitas vezes, por razões meramente pragmáticas. Por um lado, o regime Assad tem respondido à revolta com meios cada vez mais brutais e, de outro lado, o esperado apoio militar do Ocidente não veio, fazendo com que os rebeldes tenham que buscar ajuda em outro lugar.

"Por isso eles foram em direção às forças armadas islâmicas, pois estas contam com maior apoio de redes islâmicas estrangeiras, principalmente da região do Golfo", justifica Harling. A cooperação com esses patrocinadores, no entanto, não significa necessariamente que os combatentes da resistência síria irão adotar a ultraconservadora visão de mundo religiosa desses aliados. "Essa gente se encontra em combate, precisa de armas e munição. E o dinheiro para tal vem de Estados do Golfo, de redes islâmicas, organizadas em torno das mesquitas."

Avanço da violência sectária

Bem diferentes são os guerrilheiros fundamentalistas islâmicos vindos do exterior. Eles se batem por um Islã extremista, por convicção. O grupo mais conhecido entre eles é a Frente Al-Nusra, que em abril deste ano anunciara que iria cooperar no Iraque com a organização terrorista Al Qaeda.

A britânica Quilliam Foundation, que pesquisa o terrorismo islâmico, acredita que a Frente Al Nusra conta com aproximadamente 5 mil membros permanentes. Milhares de combatentes estão apenas superficialmente ligados à agremiação. Eles têm como meta estabelecer um califado islâmico, primeiro na Síria e, em seguida, nos países árabes vizinhos. Entre os sírios, esse grupo radical tem poucos seguidores, sublinha o politólogo Barah Mikail, da Fride. A maioria no país segue religiosamente moderada, e "a atitude secular continua prevalecendo".

No entanto, como aponta o diário árabe sediado em Londres Al Hayat, devido à violência crescente cada vez mais sírios procuram abrigo em suas respectivas comunidades religiosas. É cada vez mais comum cidadãos serem atacados e mortos – tanto pelas forças do regime quanto por oposicionistas – devido a sua filiação a uma determinada religião.

A busca de proteção dentro da própria comunidade religiosa, no entanto, acarreta a difusão de um pensamento em categorias sectárias, ressalta a publicação. "Não se pode mais ignorar esse sectarismo. Quer tenha sido suscitado pelas tropas do regime Assad, quer tenha adquirido um poder exagerado a partir de experiências traumatizantes do passado: as pessoas estão pagando o ódio religioso com suas vidas."

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