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Calçada da Memória

Um elogio ao riso

por José Geraldo Couto — publicado 19/08/2012 07h54, última modificação 19/08/2012 07h54
Monica Vitti, o patinho feio que enfrentou a poeira dos palcos e foi da comédia ao drama
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Monica Vitti. O patinho feio enfrentou a poeira dos palcos e foi da comédia ao drama

Loira, com nariz grande e de estranha curvatura, Monica Vitti se via como um patinho feio em meio a exuberantes morenas como Sophia Loren e Gina Lollobrigida. No início da carreira, grande parte do seu trabalho profissional foi o de dublar, com a voz grave e sensual, atrizes de grande beleza e parco talento.

Para piorar, sua mãe não apoiou em nada sua vocação. “A poeira do palco corrói a alma e o corpo”, declarou, quando a filha entrou na Academia Nacional de Arte Dramática de Roma. Mas Monica persistiu. Viajou pela Europa com sua trupe e atuou em Roma numa montagem de A Mandrágora, de Maquiavel.

No cinema, estreou em 1954 na comédia Ridere! Ridere! Ridere!, de Edoardo Anton, mas só ganhou destaque em Le Dritte (1958), de Mario Amendola, outra comédia. A esta altura ela já se juntara a Michelangelo Antonioni
no Teatro Nuovo de Milão e na vida amorosa.

Antonioni seria responsável por uma virada, ou antes, um hiato, radical em sua carreira: do registro cômico, la Vitti mudou para o drama existencial, encarnando a angústia e o vazio da mulher burguesa moderna na “tetralogia da incomunicabilidade” do cineasta: A Aventura,  A Noite, O Eclipse e O Deserto Vermelho.

Em meados dos anos 1960 afastou-se de Antonioni e voltou com força às comédias de Risi, Monicelli, Salce e Scola, trabalhando ocasionalmente fora da Itália, como em Modesty Blaise (1966), de Losey, e O Fantasma da Liberdade (1974), de Buñuel.

Em 1990, Monica se arriscou na direção com Scandalo Segreto. O filme não agradou nem ao público nem à crítica, e ela se afastou do cinema. Hoje, aos 80, está aposentada.