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Cultura

José Geraldo Couto

Calçada da memória

20.02.2012 11:13

Robert Bresson, pelo cinema monástico

Minimalismo. Bresson, condução austera. Foto: AFP

Para Robert Bresson (1901-1999), a maior parte do que chamamos de cinema não passava de teatro filmado. Ele distinguia “dois tipos de filmes: os que empregam os meios do teatro (atores, mise-en-scène etc.) e se servem da câmera a fim de reproduzir; e os que empregam os meios do cinematógrafo e se servem da câmera a fim de criar”. Foi a esse segundo tipo de filme que ele dedicou seu engenho e sua arte. O rigor e o perfeccionismo, bem como a ausência de concessões comerciais, explicam a exiguidade de sua filmografia: apenas 13 longas em meio século de carreira.

Formado em artes plásticas e filosofia, Bresson ingressou relativamente tarde no cinema. Estreou em 1934 com um média-metragem cômico (caso único em sua obra), Les Affaires Publiques, e só fez seu primeiro longa, Anjos do Pecado (1943), depois de ter passado mais de um ano num campo de detenção alemão, durante a Segunda Guerra.

A experiência de prisioneiro (evocada em Um Condenado à Morte Escapou, de 1956) e a formação católica moldaram sua sensibilidade ascética e exigente. Seus filmes eram minimalistas na linguagem narrativa e austeros na dramaturgia. Bresson exigia de seus atores (a quem chamava de “modelos”) neutralidade expressiva, uma espécie de antiatuação, e usava a música com o máximo de comedimento.

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No centro de seus dramas, os personagens debatem-se com a culpa e o pecado, mas vislumbram a redenção. Artista solitário, o “jansenista do cinema francês” não pertenceu a nenhum grupo, mas influenciou a Nouvelle Vague e o movimento dinamarquês Dogma 95, além de cineastas como Tarkovski, Paul Schrader e os irmãos Dardenne.

DVDs

Pickpocket – O Batedor de Carteiras (1959)

 

 

Pickpocket – O Batedor de Carteiras (1959)
Em Paris, um batedor de carteiras (Martin LaSalle), depois de um período na prisão, volta ao crime, que para ele é como uma sina.
Só o amor pela doce Jeanne (Marika Green) pode redimi-lo. Vagamente inspirado em Crime e Castigo,
de Dostoievski, este filme é tido como a obra-prima de Bresson.

 

 

A grande testemunha (1966)

 

 

O Dinheiro (1983)
Uma nota falsa de 500 francos passa por várias mãos até chegar a um entregador, que é preso ao tentar usá-la para fazer uma compra. O rapaz sai da cadeia revoltado e acaba por cometer um homicídio. Último filme de Bresson, inspirado em conto de Tolstoi, é um ensaio sobre a culpabilidade difusa da nossa sociedade.

 

 

 

O Dinheiro (1983)

 

 

 

A Grande Testemunha (1966)
Vida e morte de Baltazar, um burro maltratado por seu dono, que o usa de besta de carga. Entrelaçada
ao destino do animal, narra-se a existência sofrida da angelical Marie (Anne Wiazemsky), que o batizou. Singular, o filme atesta a faculdade de Bresson de revelar o espiritual nas situações mais ordinárias.

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Sua opinião

  1. Maria helena cury disse:
    o comentário acima é de quem conhece os meandros da indústria do cinema a mim mera curtidora vejo o cinema como cinema e nada monástico não conheço o cineasta mas pela breve biografia acima não me interesso me interessa sim estabelecer este diálogo com esta página da carta capital pelo crítico que é o Zé que ensina e também aprende como dizia Paulo Freire num diálogo o mais dialógico possível isto sim é bacana esta porta pra arte que nos aprisiona a felicidade e viva o cinema> diversão .arte, técnica e invenção com um futuro inimaginável esta arte caminha para entrar na nossa pele e entrar em nossos sonhos e nos reinventarseremos chipados com filmes o monástico me lembra conventículo cinema não combina com ascetismo.
  2. Fábio de Oliveira Ribeiro disse:
    Nenhuma atividade humana precisa ser monástica, nem o cinema. Mas isto não quer dizer que qualquer atividade humana ou que o cinema, precisam se prostituir como tem ocorrido nos EUA (onde a grana manda em tudo e em todos) ou no Brasil (onde as produções cinematográficas estão ficando cheias de clichês hollywoodianos). A grande questão do cinema (que é uma atividade de risco e cara) é como conseguir produzir financiamento sem comprometimento estético ou ideológico. No caso do Brazilzilzil, entretanto, esta questão é um pouco mais complicada. De fato o mercado brasileiro se tornou cativo da produção gringa e neste contexto produzir financiamento não deve ser uma tarefa muito fácil. O que o Estado pode fazer para corrigir as distorções de um mercado cativo? Limitar a entrada de filmes gringos, tributar pesadamente estes mesmos filmes de maneira a financiar a produção de filmes nacionais?
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