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Guerra das mulheres

por Orlando Margarido — publicado 16/02/2013 08h18, última modificação 16/02/2013 08h18
A caçada por Bin Laden em A Hora Mais Escura mostra uma interessante proximidadente entre Kathryn Bigelow e a protagonista de seu filme

A HORA MAIS ESCURA
Kathryn Bigelow

A hora mais escura, novo filme de Kathryn Bigelow em cartaz a partir da sexta 15, nos oferece uma interessante relação de proximidade entre a cineasta e a personagem de sua atriz protagonista. Ambas, Bigelow e a Maya de Jessica Chastain, são mulheres em um meio que consagra o talento dos homens. Para se fazer respeitar impõe-se na chave da virilidade, o que contrasta com a beleza e feminilidade. A ex-senhora James Cameron é uma diretora reconhecida por levar para a tela histórias de ação e coragem masculina, como em K-19 – The Widowmaker e Guerra ao Terror. Sua Maya adiciona a obsessão que parece existir também na realizadora, quando aceita a tarefa como agente da CIA de buscar e interrogar os integrantes do grupo de Osama bin Laden no imediato pós-11 de Setembro. Terminou por encontrar o chefe da Al-Qaeda, ou ao menos contribuiu de forma decisiva para isso, numa casa isolada do Paquistão.

Toda a operação de uma década refeita neste Zero Dark Thirty, título original que se refere à hora 0h30 do ataque, é o fato real. Mas Maya mantém-se como o nome operativo da agente. Bigelow e seu roteirista constante Mark Boal trabalhavam num roteiro sobre a caçada aos integrantes do grupo, quando Bin Laden foi morto em maio de 2011. Esse contexto aparece nos controversos processos de tortura empregados pelos Estados Unidos e testemunhados por Maya. Menos que os atentados e as armadilhas que rendem tensão, o drama assinala a obsessão de Maya em buscar seus culpados. Daí a contribuição significativa do talento de Jessica, confirmada na indicação ao Oscar de melhor atriz, ao lado das categorias principais de melhor filme e roteiro, enquanto Bigelow mereceu injusto descrédito como diretora, na única diferenciação entre as duas.