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Cultura

José Geraldo Couto

Dura na queda

por Redação Carta Capital — publicado 22/01/2012 11h45, última modificação 23/01/2012 13h34
Ela nunca encontrou “alguém que fosse homem o bastante para ser o sr. Bette Davis”
Bette Davis

A atriz Bette Davis

por José Geraldo Couto

No sarcófago de Bette Davis (1908-1989) está escrito: “Fez tudo do modo difícil”. Verdade. Em seis décadas de carreira, ela construiu a fama de uma das maiores atrizes do cinema e também uma das mais intratáveis. Brigou com produtores, diretores, técnicos, colegas (sobretudo atrizes, e entre elas especialmente Joan Crawford), maridos e amantes.

Formada no teatro – estreou nos palcos aos 15 anos e na Broadway aos 21 –, Bette Davis chegou a Hollywood em 1930, contratada pela Universal, mas logo passou para a Warner, onde assumiu uma posição de tanto destaque que passou a ser chamada de “o quinto irmão Warner”.

Sua relação com o estúdio foi espinhosa. Não queria jamais seu nome “abaixo do título” e chegou a processar a Warner por julgar que não estava sendo bem tratada.

Menos bela que suas maiores rivais, o que ninguém podia contornar, nem controlar, era seu talento fabuloso. Foi indicada 11 vezes ao Oscar – cinco delas em sequência, de 1939 a 1943 – e ganhou em duas: por Perigosa (Alfred Green, 1935) e Jezebel (William Wyler, 1938).

Teve quatro maridos e vários amantes, entre eles o ator George Brent e o cineasta William Wyler, mas dizia nunca ter encontrado “alguém que fosse homem o bastante para ser o sr. Bette Davis”.

Por causa do gênio ruim, teve fases de declínio e relativo ostracismo. Em 1961 chegou a publicar nos jornais um anúncio de “Procura-se emprego”. Mas sempre dava a volta por cima com atuações memoráveis, como as de A Malvada (1950), O Que Aconteceu a Baby Jane? (1962) e Baleias de Agosto (1987). Era o nome acima do título.

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Jezebel (1938)

Bette Davis não estrelou E o Vento Levou porque a Warner não quis emprestá-la a David Selznick. Acabou atuando neste drama parecido de Wyler, no papel da beldade do sul que, com seu espírito independente, inferniza a vida do noivo, um jovem banqueiro (Henry Fonda), tendo como pano de fundo a Guerra da Secessão.

A Estranha Passageira (1942)

Solteirona da elite de Boston (Davis) dominada pela mãe, começa a se libertar graças à psicoterapia. Num cruzeiro pela América do Sul, ela se envolve com um francês casado (Paul Henreid). O diretor Irving Rapper faz do romance impossível um melodrama poderoso, que rendeu à atriz indicação ao Oscar.

A Malvada (1950)

A história da jovem atriz (Anne Baxter) que se aproxima da legenda do teatro Margo Channing (Bette Davis) e lhe rouba o estrelato por meios espúrios é uma parábola clássica sobre a ambição e a fama. É neste drama de Joseph Mankiewicz que Davis diz a célebre frase: “Apertem os cintos, senhores. Esta vai ser uma noite agitada”.

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