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Documentário ressalta lado empreendedor de Mazzaropi

por Redação Carta Capital — publicado 20/03/2013 15h55, última modificação 20/03/2013 15h56
"Ele foi um visionário do cinema porque criou o próprio meio de produção da obra", afirma diretora


Por Paloma Rodrigues

Amácio Mazzaropi, ator que deu voz e rosto à figura de Jeca Tatu, acaba de ganhar um documentário em comemoração ao seu centenário. O filme Mazzaropi, o Jeca Empreendedor revela uma faceta diferente do mestre do cinema popular: o de empresário e homem de negócios. “Ele não cedeu às grandes distribuidoras, ele se auto-geriu. E mesmo assim levava cinco, seis milhões de pessoas para o cinema, o que mesmo hoje em dia seria considerado um sucesso”, diz Amanda Cotrin, uma das diretoras. O documentário de 28 minutos será exibido no Itaú Cultural na próxima terça-feira 26, em duas sessões: às 18 e às 20 horas.

Uma mescla de vozes dá o tom do curta, com muitos ex-colegas dando relatos de como ele era por trás das câmeras, dirigindo e comandando toda a produção, além de críticos que acompanharam a obra do cineasta. “Tivemos muita sorte de encontrar pessoas como Virgílio Roveda e Daniel Garcia, que também são grandes nomes do nosso cinema, pra falar do período em que trabalharam com Mazzaropi”, afirma Cotrin.

O grande lado empreendedor de Mazzaropi se mostra na criação de sua própria distribuidora, a Pam Filmes (Produções Amácio Mazzaropi). Para abrir a distribuidora, Mazzaropi se desfez de seus próprios bens até juntar o capital necessário. Ter optado por não depender das grandes empresas estrangeiras é um sinal do quanto ele acreditava no cinema nacional. À época, a disputa com grandes corporações foi taxado de loucura, mas Mazzaropi não se deixou dobrar pelas vontades de terceiros, que poderiam impedir a chegada de determinados filmes ao público. “O grande problema do cinema, hoje inclusive, é distribuir o filme. Filmar não é a parte mais difícil. Ele conseguiu resolver a parte da distribuição sem depender de mais ninguém”, explica Amanda.

Algumas boas histórias ficam por conta dos “fiscais” de Mazzaropi, funcionários enviados aos cinemas para conferir se os filmes estavam ou não sendo exibidos - além de sentirem de perto se determinado longa fazia sucesso com o público. “Mazzaropi tinha certeza de que o filme dele lotaria as salas, mas o exibidor poderia dizer que ele teve um número de pessoas muito abaixo do real, pra não ter que repassar todo o lucro. Ele mandava fiscalizar porque sabia que o grande público abraçaria o filme dele.”

O filho de imigrantes italianos apostava na sua vertente visionária, preferindo investir em novos talentos a contar com atores já consagrados, além de incentivar o improviso em cena, inusitado na época. A atriz Marly Marley, que participou de três filmes com Mazzaropi, conta que ele, em cena, era generoso e dava liberdade para os atores inovarem.

Amanda diz que um dos objetivos do trabalho é enobrecer a figura de um homem que contribuiu muito para a construção e fortalecimento do cinema nacional para além das câmeras. “Acredito que hoje ele seja reconhecido pelo ator que foi, mas não se tem a magnitude da importância dele. Ele foi um visionário do cinema porque criou o próprio meio de produção da obra”.

O documentário é fruto de um trabalho de conclusão de curso da PUC Campinas e foi realizado pelos jornalistas Danilo Zanini, Marcelo de Barros, Priscila Souza e Renata Ananinas, além de Amanda.

“Nosso objetivo era não ser óbvio, mesmo falando de uma figura tão conhecida. Mas acho que ele tem muito de novo a apresentar sobre Mazzaropi”.
A imprensa, na época de Mazzaropi, não lhe deu a atenção merecida, segundo a diretora. Algo minimizado por Marly Marley: “não fez falta nenhuma. Quem deu cobertura foi o público!”.

Espera-se que, mais uma vez, o público se junte ao velho Jeca para descobrir agora um outro lado de sua história.

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