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Coração de ator

por Orlando Margarido — publicado 18/01/2013 13h44, última modificação 06/06/2015 18h25
Waldemar José Solha retorna ao cinema, arte em que cedo investiu, em Era uma Vez Eu, Verônica e O Som ao Redor
Verìnica - W.J.Solha _ cred Divulgaá∆o

Foto: Divulgação

Waldemar José Solha foi um dos muitos indignados com a recente referência de que quem trabalha num banco não sofre pressão. “Quero ver atender 30 agricultores diariamente pedindo crédito, como já fiz”, responde o aposentado do Banco do Brasil à frase do técnico Luiz Felipe Scolari. De pressão, sem dúvida, esse paulista de 71 anos entende. No início dos anos 1970, enquanto cuidava da agência da pequena Pombal, Paraíba, Solha vendeu carro e casa para investir numa idealista empreitada cinematográfica. O ânimo de um amigo o levou a conhecer o diretor Linduarte Noronha, então prestigiado pelo referencial documentário Aruanda, e participar também como ator de seu único longa-metragem, O Salário da Morte. De produção atribulada, o filme foi um fiasco e permanece um título desconhecido até hoje.

 

 

A traumática experiência serviu para Solha angariar dívidas, mas também fazer estrear como atriz sua sobrinha Eliane Giardini. Para recuperar a soma, baseado em João Pessoa onde mora até hoje, ele passou a escrever peças de teatro e livros de contos e poesia assinados como W. J. Solha. É com esse nome artístico que o público se surpreende nas duas recentes produções pernambucanas que o recuperaram para o cinema. Em Era uma Vez Eu, Verônica, de Marcelo Gomes, ele interpreta o pai atento de Hermila Guedes. Em O Som ao Redor, de Kléber Mendonça Filho, a figura cresce para um patriarca prepotente, dono de engenho e do quarteirão onde vive no Recife. “Foram presentes simultâneos, papéis tão distintos, mas exigentes. Não foi fácil entrar à noite num mar que se sabe ter tubarões”, lembra sobre uma das cenas de O Som ao Redor.

Os convites quebraram um jejum cinematográfico em que Solha só aceitou participações por amizade, a exemplo de Fogo Morto (1975), de Marcos Farias, e Lua Cambará (2002), de Rosemberg Cariry. Nesse período pintou e realizou murais na capital paraibana. Sua preferência hoje é pela escrita e diz pretender encerrar a carreira no cinema. “Como a arquitetura, é a arte que melhor está resistindo e tem renovação, mas não é mais para mim. Após os dois filmes  fui ao cardiologista ver no que deu meu esforço.”

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