Número 957,

Política

Opinião

Temer, 2º round

por Mauricio Dias publicado 16/06/2017 08h22, última modificação 19/06/2017 11h30
Há indícios de que a meteorologia promete mudanças, e também quem espere pelo “fato novo”
Marcos Oliveira/Ag. Senado
Senador

Senador "índio". A decisão sobre Aécio foi adiada

Foi um vexame a reação do Senado ao tentar resistir ao afastamento do senador tucano Aécio Neves da função como determinado pelo ministro do STF Edson Fachin. Uma afronta ao STF. Patético desafio à harmonia entre os Poderes. Esse comportamento foi conduzido pela batuta bisonha do maestro Eunício Oliveira, o senador presidente da casa. Desafinou, mas cedeu.

Aécio foi punido pelas variadas razões que se conhecem. A moldura delas é a corrupção. No âmbito da Operação Lava Jato, ele empurrou para a cadeia a irmã Andrea e o primo Frederico. Aguarda-se, para breve, a definição do destino dele próprio afastado da função, mas protegido pelos pares.

Por mais de 20 dias foi mantido o nome de Aécio no painel do plenário, além do gozo da continuidade das regalias da casa: o gabinete, o salário e o carro oficial, entre outros benefícios. Darcy Ribeiro, que não tem nada com isso, pouco tempo depois de se eleger, olhou para a decoração em azul do plenário e soltou a ironia: “Entrar no Senado é melhor do que entrar no céu. Não é preciso morrer”.

O governo e seus tentáculos já trabalham para manter unida a base aliada da Câmara. Lá se dará a próxima etapa da luta de Michel Temer para escapar da deposição proposta pela Procuradoria-Geral da República. “Esse pessoal é profissional”, alertou, após ser cassado, o então senador petista Delcídio do Amaral. Referia-se aos peemedebistas.

Para bloquear a abertura de processo, Temer precisa do apoio de, pelo menos, 171 deputados. Ele propaga aos ventos que já tem esse número de aliados. Neste momento não é uma inverdade. Mas é o que está em jogo.

Segundo levantamento do Diap, há 413 deputados da situação. Desses, 240 são classificados como de “apoio consistente” e 173 como de “apoio condicionado”. Os números são expressivos. Retratam, de modo geral, o fracasso dos partidos do chamado “campo progressista”; notadamente, o Partido dos Trabalhadores. Os números da competição entre Dilma e Aécio, no segundo turno, comprovam.

Dilma venceu. Entretanto, o perfil político do novo Congresso não mudou a favor dela, e sim contra. O Congresso, inesperadamente, facilitaria o que viria à frente. O golpe. Mas os ventos de agora podem mudar de rumo. E há indícios da alteração.

A força do escândalo no qual Temer está mergulhado até o pescoço, além do crescimento do desemprego, provoca abalos no ordenamento político do Congresso. É o caso visível ocorrido na resistência às mudanças das regras da Previdência.

Além disso, há especulações consistentes quanto à ameaçadora possibilidade para Temer de surgir o que se tornou jargão no meio político: “O fato novo”. Salve-se quem puder.