Número 955,

Política

Crise Política

Sítio ao Jaburu

por Mauricio Dias publicado 03/06/2017 00h04, última modificação 02/06/2017 10h10
Michel Temer precipita com o País que desgoverna, mas o que vai sobrar deste inevitável naufrágio?
Gerdan Wesley/AFP
Aecio

E ele consegue rir do quê? (Foto: Gerdan Wesley/AFP)

A atenção do País neste momento está dividida entre o assustador número de 14 milhões de desempregados e o amargo destino a ser dado ao presidente-tampão Michel Temer, submetido a uma investigação por supostos crimes de obstrução da Justiça, corrupção passiva e participação em organização criminosa.

Destituição ou renúncia de presidentes é fato constante, quase banal, e fora da lei na história republicana nos últimos 60 anos. Golpe, com roteiro de poucas diferenças, é o nome mais adequado a essa repisada questão.

Temer, como vice-presidente, valeu-se dessa situação tropical para derrubar Dilma Rousseff, sob o silêncio dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal. Foi uma situação conivente para alguns deles e de resignada temeridade por outros.

Eis que os juízes, ou ministros como alguns gostam de ser identificados, estão cara a cara, após um ano, com problema semelhante. Protagonista da história o mesmo Michel Temer. Aquele que entrou no Planalto pela porta dos fundos e, provavelmente, sairá por ela.

Os brasileiros, aqueles poucos que não renegam a política, estarão atentos à decisão do Tribunal Superior Eleitoral onde, no dia 6 de junho, começa o julgamento da chapa Dilma--Temer, vitoriosa na eleição de 2014.

Como se sabe, o derrotado tucano Aécio Neves no dia seguinte à eleição correu ao TSE e protocolou uma denúncia contra supostas irregularidades na prestação de contas. O tempo transformou a demanda em tiro no pé. Os vazamentos dos quais foi vítima denunciaram a intenção de Aécio naquela época: “Fiz isso para encher o saco”.

Arde em Temer a fanfarra de Aécio Neves. Resguardada a provável sinceridade da linguagem chula do senador mineiro, talvez não seja assim. Além dele e de Temer, há sintomas de várias paternidades, daqui e do além-mar, nas articulações contra Dilma. Afora indícios emergentes, o tempo trará mais evidências.

Temer “vitorioso” enrascou-se ao longo do processo. Tropeçou em problemas éticos. Botou à sua volta auxiliares suspeitos de corrupção em patamar elevado. Há nós neste enredo que vão obrigá-lo, nesse caso, a cumprir ordens do STF e responder a perguntas da Polícia Federal.

Ele também não contava com a reação popular às propostas de retalhar a legislação trabalhista e sacrificar a Previdência Social. Para conter o primeiro protesto, o Exército foi convocado a ocupar Brasília, a capital do País. Houve reações iniciais nas casernas. Outros protestos, no entanto, já estão preparados.

Temer no governo precipita com o País desgovernado.