Número 947,

Saúde

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Marcha pela Ciência. Você vai?

por Rogério Tuma publicado 18/04/2017 00h06, última modificação 18/04/2017 09h35
Ou prefere ficar aí, assistindo aos predadores que estão no poder destruírem nosso planeta?
Tom Tschida/NASA
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Ciência de sangue novo: Alysa Carson, que nasceu em 2001, recebe instrução da NASA

Dia 22 de abril, Dia Internacional da Terra, haverá uma Marcha pela Ciência em Washington, DC, e em mais de 500 cidades no mundo, incluindo São Paulo, onde a marcha começa às 14 horas no Largo da Batata.

Somos a espécie que extinguiu mais da metade das outras existentes no planeta. Nossa atuação iniciou um novo período, o Antropocênico, que muda o clima, geografia, e coloca em risco a existência de vida na Terra. A única saída para um fim dramático de extinção vem da ciência

Os princípios da marcha são que a ciência protege a saúde de nossas comunidades, a segurança das famílias, a educação das crianças, a fundação de nossa economia e também gera empregos. É a ciência que cria o futuro que queremos e preserva o bom do presente e resgata o bom do passado para as próximas gerações.

É a ciência que nos faz compreender melhor o mundo e o universo, assim como saber mais sobre o corpo e a mente – ela é interesse de todos nós. A ciência deve ser inclusiva, equalitária, equitativa e , acima de tudo, o acesso ao conhecimento deve ser universal e isento de interesses.

A ciência observa nosso mundo e deve buscar respostas baseadas em evidência e consenso científico, divulgar livremente as soluções que têm o poder de mudar nosso modo de viver, e auxiliar na criação de políticas e regulamentos para o bem comum. Nenhum poder há de ser capaz de esconder ou manipular a verdade para atender a interesses de grupos. As trocas de experiências e conhecimento devem ser livres e sem fronteiras. A internet, por exemplo, foi criada para permitir a troca de informações entre cientistas russos e americanos ainda na Guerra Fria.

O acesso do público às informações não pode ser bloqueado ou controlado por governos, e as pesquisas financiadas por governos devem atender às demandas do bem comum. Mesmo para quem pensa só nos lucros, a ciência é importante: 30% dos projetos financiados pela agência de pesquisa do governo americano acabam sendo utilizados para uma empresa privada desenvolver um produto comercializado.

A verdadeira ciência é aquela que ajuda a criança e o adulto a pensar criticamente, a perguntar mais, e a avaliar as descobertas com base nas evidências. A ciência evolui melhor quando cientistas de vários pontos de vista se unem. Portanto, é necessário que o acesso à ciência seja universalizado para pessoas de diferentes culturas e perspectivas se envolvam no seu desenvolvimento.

A ciência serve a todos, sem exceção. Os objetivos da marcha são humanizar a ciência, aproximar o cidadão comum dos cientistas e mostrar que todos podem participar. O público pode e deve estar envolvido nas escolhas do que deve ser pesquisado e como as descobertas devem ser aplicadas. O maior financiamento da pesquisa é público, e sem o envolvimento de todos a pesquisa perderá recursos vitais.

A ciência pode ser praticada da maneira mais simples, como entender o funcionamento do Universo ao se desmontar um relógio, ou sofisticada, como criar órgãos em impressoras 3D. Mas deve ser sempre desafiadora, criativa e atraente. 

A ciência no Brasil já perdeu ministério e está ameaçada pela falta de recursos. Sem nossa ajuda, corre o risco de entrar na escuridão, como a da Idade Média.

E então, você vai?