Número 764,

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O tempo passou

por Felipe Marra Mendonça publicado 02/09/2013 08h35, última modificação 02/09/2013 17h54
Steve Ballmer não entendeu as mudanças. Pior para a Microsoft
AFP
Steve Ballmer

Steve Ballmer interrompeu o projeto de tablet da companhia

Imagine um CEO que passou 13 anos no cargo e conseguiu durante o mesmo período fazer com que as ações da sua companhia perdessem 40% do seu valor. Que, ante o lançamento do iPhone, em 2007, disse que era “o telefone mais caro do mundo e não terá qualquer apelo com consumidores no mundo dos negócios porque não tem teclado, o que quer dizer que não é muito bom para e-mails”. Que tinha “lobotomizado” seus filhos para que “não usassem o Google e não usassem iPod”. E que decidiu interromper um projeto interno que tinha como objetivo lançar um tablet muito parecido com o iPad, com boas chances de rivalizar com o sucesso da Apple.

Esse visionário existe e está de saída da Microsoft, depois de atuar por 13 anos como sucessor de Bill Gates. Steve Ballmer ficou amigo de Gates quando os dois moraram juntos, enquanto estudavam em Harvard em 1973, e se tornou um dos primeiros empregados da Microsoft em 1980, pouco depois de a companhia conseguir contrato para criar um sistema operacional para a IBM.

Ballmer assumiu o cargo de CEO em 2000, mas atuou sob a sombra de Gates até que esse saiu do dia a dia da companhia em 2008. Foi nesse período que Ballmer não soube perceber que o jogo havia mudado permanentemente, que seus usuários tradicionais não se interessavam mais tanto pelos seus PCs com Windows. Preferiam agora as telas de tablets e smartphones que rodavam sistemas operacionais de outras companhias, como a Apple e o Google.

O problema era a familiaridade com um mundo em que a Microsoft simplesmente lançava produtos razoáveis e mantinha sua hegemonia, porque o Windows dominava o mercado, mesmo que seus usuários não gostassem tanto da experiência de usá-lo. Não parecia possível que surgissem companhias verdadeiramente criativas com produtos bem melhores, capazes de cativar os consumidores.

O que não quer dizer que Ballmer não tenha tido sucessos importantes. As receitas da Microsoft cresceram exponencialmente desde que assumiu o cargo de CEO e a divisão Xbox chegou a dominar o mercado de videogames. Mas ele não soube perceber o salto dado pelos competidores e a Microsoft perdeu muito tempo. É mesmo hora de um novo CEO.

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