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No TSE, ministro rebate delatores e faz menção a decapitação

por Redação — publicado 09/06/2017 17h22
Napoleão Nunes Maia Filho critica a imprensa e diz desejar que "ira do profeta" caia sobre quem mente a seu respeito
Reprodução
Napoleão Maia

Napoleão Maia Nunes e a "ira do profeta"

O ministro Napoleão Nunes Maia Filho protagonizou nesta sexta-feira 9 um momento bizarro no julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Indignado com o tratamento dado pela imprensa a seu filho e a ele próprio, Maia Filho fez um furioso desabafo, atacou delatores que teriam mencionado seu nome em investigações de corrupção e fez menção uma eventual decapitação.

O episódio ocorreu pouco depois das 15 horas, na retomada do julgamento. Maia Filho abriu seu voto e pediu licença para fazer um desabafo. Mencionou, na sequência, um fato ocorrido com seu filho, que tentou entrar no plenário do TSE durante o intervalo do julgamento, mas foi barrado pela segurança por não estar vestido de terno e gravata, como mandam as regras do tribunal.

O rapaz carregava um pacote para entregar a Maia Filho e chegou a discutir com seguranças do TSE. Segundo Maia Filho, eram fotos de sua neta. "Instante seguinte, um site publica uma notícia dizendo mais ou menos o seguinte: 'homem misterioso portando envelope tenta forçar entrada na corte do TSE para entregar isto ao ministro Napoleão'".

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O tweet que enfureceu Maia Filho acabou apagado
Maia Filho reclamou que ele e seu filho estavam sendo tratados como corruptos pela imprensa, mas não mencionou o veículo responsável pela insinuação "maliciosa e perversa". Quem fez a menção ao "homem do envelope misterioso" foi o site O Antagonista, em uma mensagem divulgada no Twitter e posteriormente apagada da rede social.

Na sequência, Maia Filho criticou, novamente sem mencionar pelo nome, o jornal Valor Econômico, que publicou reportagem afirmando que ele teria sido mencionado por sócios e executivos da empreiteira OAS em negociações de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O jornal cita como origem da informação "fontes a par das rodadas de negociações".

Maia Filho atacou também o executivo da JBS Francisco de Assis e Silva. Em delação premiada, Assis relatou que o Maia Filho, também ministro do Superior Tribunal de Justiça, teria intercedido em favor da JBS no âmbito da Operação Greenfield.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, o delator afirmou que, a fim de intervir no Judiciário, contratou o advogado Willer Tomaz, que dizia ter "amizade" com integrantes da 10ª Vara Federal de Brasília, na qual transcorre a Greenfield, e também com Maia Filho.

Em seguida, Maia Filho atacou a imprensa e a publicação de reportagens com base em falas de delatores. "Se isto não terminar, o final não será bom. Todos nós estamos sujeitos ao alcance dessas pessoas. Publica o que quiser, com quem quiser e aí o sujeito fica indefeso diante disso? Deve amargurar isto no seu coração? Ou fazer o quê?", disse. 

Maia Filho disse que não conhece Willer Tomaz, que tomou diversas decisões contrárias à OAS e à JBS e criticou duramente as delações premiadas. "A mentira é desse Assis, que disse isso para me incriminar em troca das benesses que recebeu. A delação tá servindo pra isso!", afirmou.

Evangélico, Maia Filho disse ter sido questionado pela diaconia de sua igreja em Fortaleza sobre o caso envolvendo a OAS. "Eu respondi ao pastor simplesmente assim: 'com a medida com que me medem, serão medidos e sobre ele desabe a ira do profeta, é uma anátema islâmica'", afirmou. "A ira do profeta, não vou dizer o que é, vou fazer um gesto do que é", concluiu, fazendo um sinal de decapitação. "É o que eu desejo, que sob eles desabe a ira do profeta".