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Graça Foster renuncia à presidência da Petrobras

por Redação — publicado 04/02/2015 11h27, última modificação 04/02/2015 16h21
Decisão de Graça foi acompanhada por cinco membros da diretoria
Antônio Cruz/Agência Brasil
Graça Foster

Em um comunicado de quatro linhas, a Petrobras anunciou nesta quarta-feira 4 que sua presidente, Graça Foster, renunciou ao cargo. Em razão disso, o Conselho de Administração se reunirá na sexta-feira 6 para eleger uma nova diretoria.

A informação foi confirmada pela Bovespa em comunicado ao mercado. Na solicitação, a Bovespa pede esclarecimentos à Petrobras sobre notícias publicadas na imprensa sobre o fato de que o Palácio do Planalto já havia informado a Graça Foster que ela seria substituída no cargo.

“Solicitamos esclarecimentos, o mais breve possível, considerando o comportamento das ações no pregão de hoje, diante das informações do afastamento da cúpula da Petrobras”, diz o pedido da Bovespa. Em resposta, a Petrobras confirmou a saída de Graça: "A Petrobras informa que seu Conselho de Administração se reunirá na próxima sexta-feira, dia 06.02.2015, para eleger nova Diretoria face à renúncia da Presidente e de cinco Diretores."

Desde o fim do ano passado circulavam rumores da demissão de Maria das Graças Foster da presidência da Petrobras. Embora a presidenta Dilma Rousseff confie na executiva e apesar de seu claro esforço para limpar a estatal das sequelas dos escândalos de corrupção, Graça Foster não tinha mais condições políticas de comandar a maior empresa brasileira, sugada por um espiral de más notícias e sem sinais de reação. O cálculo desastrado (e incorreto) das perdas da companhia em decorrência dos malfeitos, de 88 bilhões de reais, enterraram de vez as chances de ela permanecer no cargo. Até então, Dilma resistia em demiti-la. As ações da Petrobras chegaram a subir na terça-feira 4 mais de 10% quando se espalharam os boatos da demissão.

Dilma , tudo indica, não confia em mais ninguém do atual quadro de funcionários da estatal para assumir a presidência. O nome mais aventado em Brasília e no setor financeiro paulista para substituir a executiva é o de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central nos dois mandatos de Luis Inácio Lula da Silva.

Carreira na Petrobras

Eleita a quarta mulher mais poderosa do mundo em fevereiro de 2014 pela revista Fortune, em uma lista de 50 mulheres de negócios, a ex-presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster nasceu em Caratinga, Minas Gerais, em 26 de agosto de 1953.

Eleita em fevereiro de 2012 para a presidência da estatal, Graça Foster tem mais de 30 anos de experiência na empresa. Foster também já foi membro do Conselho de Administração e acumulava a Diretoria da Área de Negócio Internacional da companhia.

Antes de tomar posse, atuou como diretora da Área de Gás e Energia e presidiu a Petrobras Gás (Gaspetro) e a Petrobras Química (Petroquisa). Também foi presidenta e diretora financeira da Petrobras Distribuidora (BR).

Até renunciar ao cargo, na manhã desta quarta-feira 4, Graça Foster também presidia os conselhos de Administração da Petrobras Transporte (Transpetro) e da Petrobras Gás (Gaspetro) e o Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). É membro dos conselhos de Administração da Petrobras Distribuidora e da Petrobras Biocombustível. Em sua trajetória, também exerceu a função de secretária de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia.

Formada em engenharia química pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 1978, mestre em engenharia de fluidos e pós-graduada em engenharia nuclear pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Graça Foster cursou MBA pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Troca de diretoria

A Petrobras também trocará o comando de cinco diretorias, mas os nomes ainda não foram confirmados pela estatal. A Petrobras conta atualmente com sete diretores, incluído o novo diretor nomeado para a área de Governança e Conformidade, João Adalberto Elek Júnior, que deve continuar no cargo.

Elek Júnior foi o último diretor nomeado na administração de Graça Foster e assume o cargo para dar maior controle às operações e aos projetos da companhia, aumentar a transparência dos contratos de licitações e tornar mais eficaz o controle de gastos.

Os outros diretores são o da Área Financeira e de Relações com Investidores na Petrobras, Almir Barbassa, que está no cargo desde 2005. Foi gerente executivo de Finanças de 1999 a 2005 e atuou como gerente financeiro da subsidiária Petrobras América, em Houston, por três anos. Barbassa ocupou o cargo de diretor financeiro da Braspetro, braço internacional da Petrobras, de 1993 até 1999. Também foi presidente da Petrobras International Finance, Petrobras Finance e Petrobras Netherlands BV, empresas que realizam atividades financeiras internacionais da companhia. Ele é membro do Conselho de Administração da Braskem desde 2010.

José Miranda Formigli, da Área de Exploração e Produção (a de maior orçamento da empresa), está à frente do cargo desde 2012. Em 2008, foi nomeado gerente executivo da área criada para o planejamento e desenvolvimento das descobertas do pré-sal. Em sua carreira, atuou em funções gerenciais nas áreas de completação de poços, engenharia submarina, produção da Bacia de Campos, Ativo de Produção de Marlim, Serviços Especializados de E&P e Engenharia de Produção de E&P. Ingressou na Petrobras em 1983 e fez o curso de formação em engenharia de petróleo. É também membro do Conselho de Administração da Petrobras Gás S.A. (Gaspetro).

O diretor da Área de Gás e Energia é José Alcides Santoro Martins, que, no cargo desde desde 2012, tem mais de 30 anos na empresa. Também presidente da Petrobras Gás (Gaspetro), foi gerente executivo na Petrobras Distribuidora e diretor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

A área de Abastecimento e Refino é ocupada por José Carlos Cosenza, indicado em 2012 para a diretoria e que também teve o nome também envolvido na Operação Lavo Jato. Cosenza tem mais de 30 anos de companhia e, antes de assumir a Diretoria de Abastecimento, foi gerente executivo de Refino.

José Antonio de Figueiredo tomou posse como diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais em 2012. Ele é engenheiro, formado pela UFRJ em 1978, e ingressou na Petrobras um ano depois. Na companhia, exerceu diversas funções gerenciais, entre as quais a de gerente executivo de E&P Sul-Sudeste e gerente executivo de Serviços de E&P.

Ex-presidente da estatal no início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Eduardo Dutra, indicado para a Diretoria Corporativa e de Serviços em 2012, presidiu a Petrobras de 2003 a 2005, e fez parte do Conselho de Administração da companhia e da Petrobras Distribuidora. Em sua carreira, também foi presidente da Petrobras Distribuidora e exerceu a atividade de geólogo na Petrobras Mineração (Petromisa) e na companhia Vale.

Com Agência Brasil

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