Política

Operação Lava Jato

Curitiba vive tensão antes de depoimento de Lula a Moro

por René Ruschel, de Curitiba — publicado 08/05/2017 09h57, última modificação 08/05/2017 10h15
Em vídeo divulgado pelo Facebook, juiz pede que apoiadores da investigação não compareçam à Justiça Federal para evitar conflito
Fotos: René Ruschel
Depoimento Lula Outdoor

Outdoors contra Lula se espalharam pela cidade. O Vem pra Rua, grupo pró-impeachment de Dilma, é um dos que bancam a operação

A decisão do campeonato paranaense de futebol, entre Atlético e Coritiba, desviou momentaneamente o foco do ambiente tenso na capital paranaense. Na sexta feira, a “República de Curitiba” amanheceu tomada por dezenas de outdoors dando “boas vindas” ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deverá prestar depoimento na quarta-feira 10 ao juiz Sergio Moro, que toca a Operação Lava Jato na 13ª Vara Federal.

A partir desta segunda, o clima deve mudar. Na tarde de domingo 7, uma Base Móvel da Polícia Militar do Paraná instalou-se em frente ao prédio da Justiça Federal, no bairro do Ahu. Dezenas de policiais percorriam as ruas num raio de 150 metros da sede da Justiça Federal, para instruir os moradores sobre as medidas que serão adotadas no dia do depoimento.

Será permitido o acesso e trânsito na região apenas aos residentes na área e jornalistas credenciados. A PM ainda não se manifestou oficialmente sobre as medidas que serão adotadas.

A surpresa maior foi a decisão da juíza Diele Dernadin Zydek, da 5ª Vara da Fazenda Pública do Paraná que, a pedido do prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN) determinou um “Interdito Proibitório”. A medida, inclusive, proíbe que as caravanas de militantes se instalem na cidade.

De acordo a determinação da magistrada, entre as 23 horas de segunda feira, 8, e as 23 horas de quarta-feira, estão proibidas, entre outras medidas, “a montagem de estruturas e acampamentos nas ruas e praças da cidade, sob pena de multa diária de 50 mil reais”.

A Frente Brasil Popular, responsável pela organização, faria uma reunião na noite de domingo 7 para decidir sobre essa questão. Segundo o jornalista Pedro Carrano, porta-voz da frente, a medida não vai alterar o cronograma nem as atividades que estão programadas para esses dias.

Depoimento_Lula_Moro.jpg
Polícia Militar montou base em frente à sede da Justiça Federal de Curitiba

Pelas ruas, a população demonstra temor. Alguns bairros da capital, onde é esperada uma maior concentração de militantes, comerciantes não descartam a possibilidade de manter as lojas fechadas. Em alguns shoppings, a segurança será reforçada.

O juiz Sergio Moro, na página do Facebook de sua mulher, Rosangela Moro (“Eu Moro com ele”) gravou e postou um vídeo no qual pede que pessoas não venham a Curitiba “nessa data”. Diz estar preocupado e quer evitar “confusão e conflito e, acima de tudo, que ninguém se machuque”.