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Crise

Aécio e Gilmar Mendes saem em defesa de Temer

por Redação — publicado 25/11/2016 12h20
Tucano quer investigar Calero, o responsável pela denúncia, e ministro do STF minimiza caso do "flat longínquo numa praia aí da Bahia"
Marcello Casal Jr / ABr e Marcus Desimoni / Nitro
Gilmar e Aécio Neves

Gilmar e Aécio Neves: apoio a Temer

Em meio à maior crise dos seus seis meses no governo, que propiciou a queda do ministro Geddel Vieira Lima, Michel Temer (PMDB) recebeu nesta sexta-feira 25 o apoio do presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), e do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. 

Em depoimento à Polícia Federal, o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero afirmou ter sido "enquadrado" por Temer, que desejava uma solução para um pedido pessoal de Geddel a respeito de um apartamento de luxo em Salvador. Ainda que o presidente da República esteja sendo diretamente acusado, Aécio e Gilmar veem mais gravidade na possibilidade de Calero ter gravado suas conversas com Temer.

"Há algo aí extremamente grave e que também tem que ser investigado: o fato de um servidor público, um homem até aquele instante da confiança do presidente da República, com cargo de ministro de Estado, entrar com gravador para gravar o presidente da República. Isso é inaceitável, isso é inédito na história republicana do Brasil", disse Aécio, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, durante encontro de prefeitos de seu partido. 

"Isso permite a todos nós que possa achar que (Calero) possa ter induzido palavras do presidente da República, e isso tem que ser investigado, porque me parece também um ato passível de punição", afirmou o tucano.

Gilmar Mendes, figura bastante próxima aos caciques do PSDB, usou argumento semelhante ao de Aécio. “De fato se isso ocorreu [a gravação] é um fato que vai para o Guinness [o livro do recordes], alguma coisa realmente inusitada e claro absolutamente despropositada. Um profissional, do ministério, do Itamaraty, tenha este tipo de conduta suscita realmente bastante preocupação", disse Mendes em São Paulo, segundo o portal G1.

Para ele, a acusação contra o presidente da República não é relevante. "Mas eu acredito que este episódio será tratado pelos meios adequados e terá o devido encaminhamento. Nós temos crises maiores e temos desafios maiores do que um episódio relativo a um flat longínquo numa praia aí da Bahia", adicionou Mendes.

No sábado 19, Calero afirmou que à Polícia Federla que foi convocado por Temer ao Palácio do Planalto em 17 de novembro e que foi "enquadrado" pelo presidente, ansioso para resolver uma disputa entre Calero e Geddel.

Segundo contou Calero à PF, Temer afirmou que a disputa havia criado "dificuldades operacionais" em seu gabinete posto que "o ministro Geddel encontrava-se bastante irritado." Assim, Temer pediu a Calero que enviasse o caso para a Advocacia-Geral da União (AGU) "porque a ministra Grace Mendonça teria uma solução".

Os dois ministros se desentenderam por conta da construção do empreendimento de luxo La Vue Ladeira da Barra, em Salvador, onde Geddel comprou um apartamento de 2,6 milhões de reais. 

Localizado em meio a locais históricos da capital baiana, o prédio foi projetado para ter 30 andares, uma altura que destoaria do restante da região e descaracterizaria o local. A obra foi liberada pela superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Bahia, influenciado por Geddel, mas embargada pelo Iphan nacional, subordinado ao Ministério da Cultura.

Segundo Calero, Geddel o procurou cinco vezes, pressionando para que as obras fossem liberadas, e ameaçou pedir a cabeça da presidente do Iphan e levar o caso a Michel Temer, o que aparentemente de fato ocorreu.