Política

Repercussão

Greve geral terá impacto na votação da reforma da Previdência

por Renan Truffi — publicado 29/04/2017 10h43
Deputados e senadores avaliam paralisações como vitoriosas e preveem movimento de dissidência na base aliada do governo
José Cruz/Agência Brasil
Greve geral na Esplanada

Além da greve, algumas cidades registraram manifestações e protestos, como o que aconteceu na Esplanada dos Ministérios, em Brasília

A paralisação deste 28 de abril deve impactar a votação da reforma da Previdência no Congresso Nacional. É o que apostam parlamentares num balanço sobre os resultados das manifestações que aconteceram em todo o País. Com uma base aliada de “maioria circunstancial”, a cúpula do Palácio do Planalto deve ter dificuldade para aumentar o número de votos favoráveis ao projeto que dificulta o acesso à aposentadoria.

“O que eu vejo é que foi a greve mais impactante desde 1983 e isso vai ter um impacto sobre o  isolamento do governo, sobre os parlamentes. O governo tem uma maioria circunstancial na Câmara e, particularmente na reforma da previdência, acho que eles vão enfrentar dificuldades. Imagine quando for votar mesmo em Plenário. Acho que vamos ter novas paralisações, foi um movimento vitorioso”, disse o deputado Ivan Valente (PSOL-SP).

Alguns dos deputados enxergam na adesão das manifestações um elemento importante para fortalecer as posições de parlamentares dissidentes no Congresso Nacional. O tamanho da greve pode consolidar a “traição” de deputados da base aliada nas próximas votações das reformas.

“Nós temos tido 180 votos contra o governo: 100 da oposição e em torno de 80 dos dissidentes do governo, nem sempre os mesmos. Estamos com nível de dissidência bastante elevado. E vamos elevar mais. Acreditamos que uns 30 ou 40 deputados se juntem a nós contra a reforma da Previdência. Eu acho que essa manifestação dá segurança aos deputados dissidentes se oporem a essas mentiras”, comemorou o líder do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (PT-SP),

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que acompanhou os protestos em São Paulo, enxergou nas paralisações um sinal de que a reforma trabalhista não deve ser aprovada no Senado, assim como a reforma da Previdência. “Eu acho que a gente começou a derrubar o Temer. Nós estamos discutindo a apresentação de um projeto para antecipar as eleições em um ano, para outubro de 2017. Eleições gerais”.

O deputado Ivan Valente ainda comentou as declarações do ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR), que tentou minimizar o tamanho da greve no País. “Colocaram um ministro para falar que é mais um que não tem nenhuma moral, que foi o ‘Osmar Carne Fraca Serraglio’”, ironizou em referência às acusações de participação de Serraglio no esquema envolvendo grandes frigoríficos. “Há um certo desespero do governo.”