Democracia

Outubro de 2018, ponto de encontro com o destino

por Mario Eduardo Garcia* — publicado 21/04/2017 07h00, última modificação 19/04/2017 11h51
Uma carta de princípios para os partidos que pretendem disputar as eleições no próximo ano
Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Eleições

Nas eleições do próximo ano, os dilemas de sempre?

Em outubro de 2018, partidos políticos precocemente velhos, maculados por práticas obscuras e antieconômicas, voltarão a prometer a felicidade a torto e a direito a uma indefesa população. No entrechoque da campanha, sempre entre os mesmos surrados personagens, nenhuma proposta de fato comprometida com a busca de uma sociedade plural e menos injusta.

Por que esse vácuo político? Como diria Giordano Bruno, é rematada ingenuidade esperar dos donos do poder a reforma do poder. Assim, passada a eleição, serão esquecidas as promessas e reaberto o ciclo do “governo de coalizão”, elegante nome para o mais puro fisiologismo político, chaga que infelicita a nação e que aceitamos em resignada prostração de espírito.

Uma coisa é a composição política legítima em torno de programas validados pelo povo, outra é a cínica formação mercantilista de maiorias parlamentares ocasionais. Nesse script, sinistro por provável, esvai-se a oportunidade de chegarmos ao bicentenário da Independência, 2022, com o País a se abrir às oportunidades do século XXI.

Pena. Estaremos longe disso. Estaremos ainda perplexos, trocando ofensas pelas redes sociais, convivendo com atores políticos mortos-vivos. Embora se saiba que sem a prática política autêntica não se constrói um País propicio para todos os seus habitantes e não só para os afortunados, continuaremos vencidos pela impotência cívica.

Quem são os responsáveis pela calamidade? A resposta é simples, somos nós mesmos, os que, já emancipados da luta diária pela sobrevivência elementar, limitamo-nos a usar o excedente de nossos recursos e energia para deblaterar contra a escuridão. No mais, permanecemos em messiânica espera ou envolvidos na faina de escarafunchar um sistema político exaurido, na vã expectativa de aí encontrar o futuro.

Se é verdade que o amanhã se resolve hoje, não será esse o caminho mais prudente nem o mais inteligente. Não devemos nem precisamos carregar o fardo da abominável herança de políticas esclerosadas. Vamos largar isso na estrada, terminar logo e com bom senso a autópsia do passado insepulto e descortinar novos horizontes, respirar ar puro, acreditar que não são utópicas aspirações políticas desafiantes, geradas democraticamente. Vamos fazer de 2018 a alavanca para um bicentenário pleno de esperança de um Brasil eficiente e justo, preparado para superar as forças paralisantes do espectro conservador.

Um possível ponto de partida? Uma carta de princípios? Ainda que sujeitos ao patrulhamento dos descrentes, ensaiemos uma contribuição:

1) Ao longo de sua história, o liberalismo capitalista não proporcionou uma vida decente para todos. Não trouxe segurança social e acentuou os contrastes entre ricos e pobres;

2) O socialismo estatal por seu turno comprometeu a liberdade e desidratou o rendimento do sistema produtivo, sob a ditadura de um partido único;

3) Precisamos de um estamento político que garanta o direito de trabalhar e produzir, com eficiência, desvencilhando-as de asfixiantes amarras burocráticas e antieconômicas. E que divida com sabedoria os frutos do progresso, na trajetória para uma sociedade menos desigual. Associações empresariais socialmente responsáveis e sindicatos de trabalhadores fortes e sem peleguismo são protagonistas essenciais dessa jornada;

4) A nova política deve assegurar uma eficaz rede de proteção social aos não dotados de autonomia econômica. Os mais pobres não podem esperar nem um dia, suas demandas mais elementares devem ser atendidas hoje e não amanhã;

5) A valorização do meio ambiente é um dos pilares da nova proposta. Essa postura não é um entrave ao desenvolvimento, é a garantia de um desenvolvimento sustentável;

6) Não devemos gastar tempo e energia discutindo o tamanho do Estado. Seu porte e a eficiência de suas práticas – inclusive na solução de falhas de mercado ou na delegação ao setor privado de serviços públicos criteriosamente selecionados – devem ser os necessários e suficientes para, com transparência, respaldar os princípios da nova política e ensejar igualdade de oportunidades;

7) A democracia, entendida como liberdade política, com acatamento à regra da maioria em torno de princípios e respeito dos direitos das minorias, é o apanágio mais importante da nova proposta. Ela combate todo tipo de discriminação de sexo, raça, credo ou status social. E se complementa com o reconhecimento dos deveres de cada cidadão perante a sociedade, suas leis e suas exigências de comportamento ético.

8) A nova proposta não se implantará de cima para baixo, como se fora decreto imperial. Ela não nascerá em atmosfera politicamente neutra mas num sistema social complexo, com suas contradições, conflitos e as naturais disputas entre capital e trabalho. As travessias para conquistá-la serão duramente percorridas e aos poucos superadas, a cada dia, com muito esforço e dedicação dos que anseiam pela abertura de novas perspectivas para nosso País.

* “Sócio” desde 2017. O texto completo pode ser lido no blog www.megarcia.com.br

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