Sombras do fascismo

Holiday e Hollywood

por Douglas Martins de Souza* — publicado 18/04/2017 12h00, última modificação 17/04/2017 17h43
O vereador paulistano, em sua cruzada contra a educação, lembra o personagem Stephen, do filme Django Livre, sempre pronto a defender a Casa-Grande
Reprodução/Facebook
Fernando Holiday

Holiday e a ideologia do "Escola Sem Partido"


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Fernando Holiday, um sem noção com mandato em São Paulo, resolveu fazer blitz ideológica nas escolas municipais para forçar professores da rede a ensinar as ideias dele.

Nem o secretário de Educação de João Doria aguentou. Postou na rede a Lei de Diretrizes da Educação com o artigo que garante o pluralismo de ideias, num esforço (inútil) de alfabetizar minimamente o sujeito. O episódio é didático para se entender que o fascismo não morre. É como um alien. Se aparece uma oportunidade, ele explode na nossa cara. Esse ovo, no caso, chocou quando a bílis oligárquica ganhou às ruas sob a forma de discurso moralista e juntou ódio e política.

Acontece que a virulência de ontem é disfuncional neste momento. Fascismo é política de guerra. Fora de controle, morde a mão do dono e precisa ser contido. O tipo em questão é curioso. Funciona como autonegação ambulante. Foi muito bem representado no personagem Stephen, interpretado magistralmente por Samuel L. Jackson no filme Django Livre.

Carrega dentro de si a repulsa total. Vive para negar-se e assumir furiosamente a chibata do senhor. Stephen perambulava pela Casa-Grande se divertindo sarcasticamente com o sofrimento e humilhação de seus iguais. De fraque, polainas e suíça, Stephen tinha um imenso carinho por seu senhor e espumava de ódio pela senzala. Quentin Tarantino deixou que ele ficasse na Casa-Grande até o fim da trama. Ali era o seu lugar. Ali poderia mandar os outros calar a boca e engolir o que lhes ordenavam. E o que lhes ordenavam? Que se arrependessem. Se arrependessem de terem feito qualquer crítica ao sinhozinho. Foram suas últimas palavras. 

* Advogado e “sócio” desde 2011