Política

Fulgura, ó povo brasileiro, ilumina o Brasil para a nova era

por Luzia Magalhães Cardoso* — publicado 16/07/2017 00h00, última modificação 21/07/2017 10h19
O fato que se repete na atualidade é o desmonte dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários que sempre foram atacados pelo patronato


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Marx, nos 18 Brumários, dando prosseguimento à sua interlocução crítica com a obra de Hegel, apresenta uma espécie de nota explicativa à afirmação deste de que fatos e personagens de grande relevância na história da humanidade tendem a ocorrer por duas vezes. Alerta Marx: “A primeira como tragédia, a segunda como farsa. ”

Considerando tanto a afirmação de Hegel quanto o complemento de Marx como certos, ao olharmos para a história do Brasil e, em particular, para as lutas, avanços e retrocessos da classe trabalhadora, devemos buscar compreender os fatos, os atores, sua relevância para a sociedade nacional e para o mundo, bem como se eles se apresentam pela primeira vez ou se não passam de cópia carbonada, mas que independentemente da qualidade da reprodução, pode levar a uma tragédia sem precedentes.

Embora, quando comparados às sociedades asiáticas e europeias sejamos uma nação nova e, por isso, a classe trabalhadora brasileira esteja ainda em estágio juvenil, quando analisados o seu processo de organização, formação de lideranças e estratégias de luta, percebe-se que muitos avanços foram conseguidos na medida em que os trabalhadores se reconheciam uns nos outros ao perceberem que a exploração de seu trabalho, ao mesmo tempo em que gerava riqueza, que era expropriada e acumulada pelo patronato, também aumentavam os riscos do labor, as doenças profissionais, os acidentes de trabalho e, em proporções geométricas, a pobreza.

E foi nesse caminhar, desde a primeira década do Século XIX, às custas de demissões, prisões e mortes de lideranças de trabalhadores, que as leis de proteção ao trabalho foram criadas, organizadas na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), em 1943, sofrendo alterações ao longo dos anos, algumas garantiram avanços em relação às reivindicações da classe trabalhadora por seus de direitos, outras, retrocessos. Essa gangorra dos direitos trabalhistas é impulsionada pela tensão entre trabalhadores e patronato.

Quando os primeiros estão coesos e organizados, avançam, quando se dividem e se desorganizam, se fragilizam e perdem direitos. Assim, a CLT foi sancionada em época de grande efervescência política, com setores do patronato urbano e rural pressionando para um governo que atendesse aos seus interesses, ao mesmo tempo, a classe trabalhadora aumentava a sua organização, se fortalecendo, fincando o pé no que considerava inegociável para garantir a sua sobrevivência e condições de criar a sua prole. Agora, se podemos traçar um paralelo entre os avanços sociais e trabalhistas do governo de Getúlio Vargas com os dos governos de Lula, Getúlio não era um operário e, tampouco, teve origem dos setores populares. Diferentemente de Lula que veio de família camponesa do interior de Pernambuco, formando-se politicamente no seio das lutas operárias do ABC paulista, liderando uma das principais greves operárias nos anos de chumbo e eleito presidente da República Federativa do Brasil por duas vezes. E esse foi o fato novo na história brasileira, de 2002 a 2010, as classes que vivem do trabalho garantiram um operário no comando do país.

O fato que se repete na atualidade é o desmonte dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários que sempre foram atacados pelo patronato, visando fazer do Estado um de seus instrumentos de opressão e exploração dos trabalhadores, garantindo-lhe o acúmulo líquido, crescente e certo de riquezas. Também se repetem as perseguições, condenações e prisões de lideranças das classes que vivem do trabalho. E nesse cenário de 2017, o que se repete como farsa na história se revela nas fissuras visíveis nas ações, barganhas e delações de membros e representantes do patronato brasileiro, estampadas nas manchetes da imprensa nacional e internacional. A tragédia, no entanto, desponta no horizonte dos borrões das reformas em curso. Ao tencionarem o cabo de guerra, uma ou outra ponta será lançada ao abismo. Nesse sentido, considerando as origens de Lula e de olho no processo histórico, iremos entender qual figura de linguagem representa a sua condenação, se se trata de ironia, metáfora, metonímia ou se as mãos que amargam a dor imprimirão outros rumos a essa história.

* Sócia desde 2017

registrado em: Blog do Sócio