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Bola de cristal

por Felipe Marra Mendonça publicado 26/12/2012 09h31, última modificação 26/12/2012 09h32
A IBM divulga suas previsões, nem sempre realistas, sobre os rumos do mundo da alta tecnologia

A IBM solta anualmente sua previsão sobre o que pode acontecer com a tecnologia nos cinco anos seguintes. Nem todas as previsões são certeiras. Por exemplo, em 2011, a empresa informou que ler o pensamento não seria mais ficção científica. Claro que ainda faltam alguns anos para declarar o fracasso do palpite, mas as previsões da empresa deste ano são bem interessantes.

A principal afirmação dos laboratórios da empresa para 2017 é que até lá os aparelhos (do smartphone ao computador) terão todos os sentidos humanos. Eles terão olfato, paladar, tato, visão e audição. É o que a IBM chama de um sistema cognitivo: “Os sistemas de computação -cognitiva vão nos ajudar a solucionar problemas complexos, nos manter na -velocidade da informação, nos auxiliar a fazer decisões mais bem informadas, melhorar nossa saúde e padrão de -vida, -enriquecer -nossas vidas e derrubar todo tipo de barreira, -inclusive distâncias geográficas, de -língua, de custo e acessibilidade”.

 

Para o tato, a empresa dá um exemplo de uma noiva que pode sentir o tecido do seu vestido ao tocar na tela do seu smartphone, podendo assim se decidir entre cetim e seda. No campo da visão, a empresa acredita que computadores logo devem conseguir ver imagens e tirar delas informações da mesma maneira ou até melhor do que um ser humano. Um uso possível seria na saúde, onde a tecnologia poderia ser aplicada para conseguir distinguir entre tecidos saudáveis e cancerosos com uma acuidade impossível aos olhos humanos.

      

A audição é outro campo interessante pelas diferentes aplicações que pode vir a ter. A IBM imagina que sensores poderão medir a pressão do som, vibrações e ondas sonoras em diferentes frequências, para poder prever catástrofes como deslizamentos iminentes de terra. Ou, em uma aplicação mais humana, os computadores poderão entender os sons feitos por bebês e dizer aos pais ou aos médicos o que eles querem. Ao aprender o que os sons querem dizer, se indicam fome, calor, cansaço ou dor, um sistema de reconhecimento poderia fazer uma correlação entre os sons e outras informações fisiológicas, como o batimento cardíaco ou a temperatura corporal.

Em termos de paladar, Lav Varshney, pesquisador da IBM, garante que em cinco anos “um computador vai saber o que gosto de comer melhor do que eu mesmo”. Ao criar um sistema capaz de sentir diferentes sabores, será possível analisar os ingredientes de diferentes receitas em nível molecular e assim criar novos pratos de acordo com a psicologia que rege os sabores e os cheiros favorecidos pelas pessoas.

“No futuro é até concebível um médico diagnosticar uma série de doenças pelo cheiro do paciente”, diz Hendrik Hamann, gerente de pesquisas na IBM. Os sensores de um tablet, por exemplo, serão capazes de sentir o cheiro da doença. Se instalados em uma casa, poderiam avisar o morador de que ele deve ficar resfriado antes mesmo de os sintomas se manifestarem. De fato, todos os sentidos humanos, interpretados por máquinas, podem ser bem mais úteis do que usar a capacidade de processamento para adivinhar o pensamento das pessoas.

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