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Ancestral humano andava como homem, mas subia em árvores como macacos

por AFP — publicado 26/10/2012 10h01, última modificação 26/10/2012 16h19
Fóssil de omoplata de mais de três milhões de anos comprova que o primeiro ancestral bípede conhecido do Homo sapiens continuava também vivendo em árvores
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(Arquivo) Restos de um Australopithecus afarensis. Foto: ©AFP/File / Lealisa Westerhoff

WASHINGTON (AFP) - Há mais de três milhões de anos, os ancestrais dos humanos caminhavam eretos, mas ainda conseguiam subir em árvores como os macacos, indica um estudo publicado na quinta-feira 25 pela revista científica americana Science.

Duas omoplatas extremamente bem preservados de um hominídeo similar à famosa Lucy, o primeiro ancestral bípede conhecido do Homo sapiens, que tem 3,5 milhões de anos, mostram que esta espécie continuava também vivendo em árvores, segundo o estudo publicado nos Estados Unidos.

As duas omoplatas fossilizados de uma menina Austrolopithecus afarensis, a espécie a que pertence Lucy, indicam pela primeira vez que estes hominídeos estavam bem adaptados morfologicamente para subir nos galhos.

O esqueleto completo de um deles, que viveu há 3,3 milhões de anos, batizado como "Selam", foi descoberto no ano 2000 na Etiópia.

"A questão de se o Austropithecus cujo primeiro espécime, Lucy, foi descoberto em 1974 na Etiópia, era estritamente bípede ou continuou evoluindo nas árvores, era objeto de debate há 30 anos", explicou David Green, professor de paleobiologia da Universidade Midwestern em Illinois (norte dos Estados Unidos), um dos principais autores destes trabalhos publicados na edição de 26 de outubro da revista Science.

"Estas omoplatas fossilizados proporcionam um indício sólido de que estes indivíduos continuavam subindo nas árvores neste estágio da evolução humana", acrescentou.

"Subiam para fugir de predadores ou por comida", explicou Green.

"Quando comparamos a omoplata da menina australopithecus aos membros adultos da mesma espécie, é evidente que as características de desenvolvimento se parecem mais com as do macaco", emendou.

Ao mesmo tempo, "muitos traços dos ossos do quadril, dos membros inferiores e dos pés dos austrolapithecus, que permitiam o bipedismo, se parecem sem equívoco à espécie humana", prosseguiu o pesquisador.

Green explicou que ainda não se sabe quando os humanos deixaram de subir em árvores.

"Esta descoberta confirma o lugar chave ocupado por Lucy e o menino Selam na evolução humana", acrescenta Zeresenay Alemseged, da Academia de Ciências da Califórnia, outro autor do estudo.

O Austrolapithecus aforensis representa, na evolução, uma nova espécie de hominídeo, muito diferente da anterior, como o Ardipithecus ramidus ou Ardi, que não caminhava ereto ou não o fazia de forma permanente.

Para Zerenesay Alemseged, "esta descoberta permite progredir na nossa busca por determinar quando nossos ancestrais pararam de subir em árvores para se tornar estritamente bípedes: parece que isto ocorreria muito mais tarde do que pensava um grande número de pesquisadores".

David Green explica à AFP que o Homo erectus, um ancestral do Homo sapiens que vivia há 1,9 milhão de anos, tinha uma morfologia que o fazia mais similar aos humanos e parece ser, até o momento, a primeira espécie estritamente bípede.

"Mas infelizmente entre Lucy, que viveu há 3,5 milhões de anos, e o Homo erectus, temos um longo período desconhecido que tentamos compreender com fósseis", disse.

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