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USP promove "Dia de Saia" em apoio a estudante

por Marcelo Pellegrini, Paloma Rodrigues — publicado 15/05/2013 18h37, última modificação 16/05/2013 10h26
Ofensa a aluno que usa saia levou à criação de evento para incentivar as pessoas a usarem peças "fora do padrão"; Na foto, o estilista Marc Jacobs
USP de saia! / Divulgação
USP de Saia

"USP de Saia" propõe usar a roupa como uma forma de liberdade de expressão

No último dia 27, o estudante Vitor Pereira se deparou com um comentário agressivo em relação às suas roupas na página do Facebook da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, onde estuda. O agressor, anônimo, citava em tom de deboche o aluno que "tem um pênis e vai de saia pra each". Rapidamente, Vitor Pereira foi identificado pelos colegas, que manifestaram repúdio ao autor da provocação. A partir disso, surgiu a ideia do evento "USP de Saia", que acontece na quinta-feira 15, durante todo o dia. A ideia é que, em todos os campi, os alunos da universidade façam da sua vestimenta uma forma de liberdade de expressão."Esse evento é uma forma de demonstrar apoio a qualquer forma de transgressão aos padrões que a sociedade nos impõe", diz a chamada.

"Roupa não tem gênero, se vocês não entendem isso a gente pode organizar umas aulas pra vocês", dizia um dos diversos indignados que começaram a se manifestar na publicação em apoio a Vitor.

A comoção levou alunos de diferentes cursos da universidade a proporemuma fuga dos padrões de normalidade durante um dia. A ideia é levar a sociedade, ou parte dela, a repensar as imposições estéticas colocadas diariamente. "Os homens podem passar o dia de saia ou de vestido e as mulheres podem usar calças masculinas, camisetas largas e até gravatas. Deixem a imaginação fluir!", chama o evento no Facebook, que já conta com mais de 2.800 adesões. Os organizadores pedem para que as pessoas passem o maior período de tempo dia com os trajes "fora do padrão", durante sua circulação pela universidade e durante o trajeto, para que atinjam um maior número de pessoas. "Se possível, usem esses trajes no trajeto para a universidade, para perceberem o quanto essas "caixinhas fechadas" estão internalizadas na sociedade."

Vitor, em entrevista a CartaCapital, disse ter recebido milhares de mensagens de apoio. A coordenadora e os professores de seu curso também manifestaram solidariedade. "Todos disseram que repudiam os atos, mas nenhuma ação foi tomada efetivamente."

Para ele, a moda desempenha um papel fundamental no comportamento. "O brasileiro hoje se veste imitando o que vê nas revistas e nas novelas e aí se surpreende quando vê alguém de saia na rua", diz ele.

Sobre a experiência de usar saia, ele diz que é uma questão de experiência. "Mudou um pouco o meu comportamento, minha postura mudou completamente. Estou me reeducando, pra sentar, por exemplo.  O importante é ter a liberdade de se vestir como a pessoa se sente melhor. Me faz sentir confortável."