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Thiago Braz, o menino que queria voar

por AFP — publicado 16/08/2016 09h57
No Rio, brasileiro vence o salto com vara e se torna o novo recordista olímpico da modalidade
Franck Fife / AFP
Thiago Braz

Thiago Braz celebra após o salto em que quebrou o recorde olímpico, e que deu a ele a medalha de ouro

Thiago Braz, o novo campeão olímpico do salto com vara, sempre foi fascinado por voar. Talvez por este motivo ele tenha investido grande parte de um prêmio recebido em uma competição para comprar um pequeno avião de motor e controle remoto, uma de suas paixões.

O mundo da aviação é uma das paixões do jovem de 22 anos, novo herói nacional ao conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos Rio-2016. Se não fosse atleta, seria piloto, como falava quando era criança.

E ele escolheu a prova do salto com vara, a disputa do atletismo onde se chega mais alto. O caminho para sua inesquecível noite olímpica foi tudo menos fácil.

Sua mãe o abandonou quando ele era criança e foi criado pelos avós, que considera seus verdadeiros pais. Alguns parentes contam que durante muitos dias ele aguardava com uma mochila na costas o retorno da mãe, até que percebeu que isto não aconteceria.

Ele entrou para o atletismo graças ao tio Fabiano Braz, que foi decatleta. Ele tinha 13 anos quando começou a treinar sob a supervisão do tio. Jogou basquete por alguns meses no colégio, mas rapidamente voltou ao atletismo para não abandonar mais.

Aos 15 anos, entrou em contato por e-mail com Élson Miranda de Souza, marido e técnico de Fabiana Murer, e começou a treinar com ele.

O potencial era mais que evidente e com apenas 16 anos participou dos primeiros Jogos Olímpicos da Juventude, em Cingapura-2010, quando conquistou a prata, em um ano em que também foi medalha de ouro no sul-americano juvenil.

Depois do ouro no Mundial Juvenil de Barcelona-2012, Thiago Braz entrou no mapa do salto com vara, quando tinha 18 anos.

Sua primeira grande competição adulta foi o Mundial de Moscou-2013, quando não passou da fase classificatória. O mesmo aconteceu dois anos mais tarde no Mundial de Pequim-2015.

Entre as duas competições, ele chegou perto da medalha com o quarto lugar no Mundial Indoor de Sopot (Polônia) em 2014.

O ano de 2014 foi muito importante para o atleta, que se casou, com apenas 20 anos, com Ana Paula Oliveira, atleta como ele, mas que não conseguiu vaga nas Olimpíadas no salto em altura. Os dois são muito religiosos e têm o hábito de divulgar mensagens cristãs na internet.

Na ficha que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) preparou sobre os atletas fica evidente a profunda religiosidade de Thiago Braz, quando ele afirma que entre seus principais hábitos estão "ver filmes e ler a Bíblia".

"Aceitar o que Deus tiver para mim", respondeu ao ser questionado sobre seus objetivos profissionais.

Em 2014, Thiago Braz se mudou para a Itália para treinar com o mítico Vitaly Petrov, mentor de Sergey Bubka e Yelena Isinbayeva.

No mesmo ano também sofreu uma fratura na mão esquerda, que exigiu uma cirurgia. Ele custou um pouco a voltar a recuperar a força e a confiança, mas conseguiu com muito esforço.

E agora concretizou o sonho de ser um campeão olímpico dentro de casa, na Rio-2016, mas por sua juventude este pode ser apenas o início de seu grande voo.

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