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Refugiados no Brasil: entre o exílio e a solidariedade

por Soraya Smaili publicado 02/02/2016 11h11, última modificação 02/02/2016 11h38
O problema dos refugiados é de todos nós. Por isso, conhecer, refletir e atuar para eliminar todas as formas de injustiça é fundamental
Refugiados

Alunos da Unifesp oferecem aulas de Língua Portuguesa para refugiados em São Paulo

O mundo vive hoje um turbilhão de sentimentos e reações no que diz respeito aos refugiados. Trata-se de uma enorme tragédia humana, a qual temos assistido pela TV do conforto de nossas casas. Todos os dias, grandes contingentes de pessoas tentam cruzar terras e mares, sob o sol e sob a neve.  

Pela TV, imagens dramáticas mostram famílias inteiras, jovens, crianças e idosos chegando à Europa em busca de um lugar supostamente mais seguro para viver. Embora os refugiados da Síria tenham ganho maior destaque, existem ainda os refugiados africanos e os latino-americanos. 

Dentro da América Latina, vemos grandes migrações, uma marcha de pessoas que buscam o refúgio, mas que terminam em uma espécie de exílio. O que surpreende é que até mesmo entre nós, latinos, herdeiros dos mesmos processos colonizadores, verificamos a discriminação e a falta de solidariedade. 

O Brasil, que sempre se destacou por sua capacidade de acolher diferentes culturas, apresenta uma das sociedades com maior diversidade. Podemos afirmar nossa capacidade de lidar com o multiculturalismo com bastante naturalidade, embora, muitas vezes, a questão seja tratada de maneira superficial. Por outro lado, o preconceito existente, antes disfarçado, deixou de ser tímido e passou a se manifestar de forma aberta e hostil. 

Comparado a outros países, o Brasil não recebe um número elevado de refugiados, e a maioria da sociedade brasileira aceita-os, acreditando que é possível fazer algo para ajudá-los, mesmo diante do momento crítico da economia e da política.  

Diante desse cenário, destacam-se as iniciativas de solidariedade. Esta, apresenta-se de forma objetiva e é praticada por jovens estudantes de nossas universidades. Com a cabeça aberta e o respeito ao diferente, muitos deles manifestam uma visão de mundo que permite acreditar em transformações sociais de base. 

Vários exemplos poderiam ser mencionados. Entre eles, destacamos os estudantes do curso de Letras da Unifesp, que criaram um projeto para o ensino da língua e da cultura brasileira dirigido aos refugiados de vários países. Os estudantes da PUC e USP atuam junto aos refugiados no centro da cidade de São Paulo, buscando condições de moradia e de trabalho. Juntas, a Unifesp e a UFABC fundaram a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, que promove o ensino e a difusão do direito internacional dos refugiados, além de atendê-los diretamente. Todos, com sua criatividade e despojamento, nos ensinam entusiasmados que é possível fazer a diferença. 

O problema dos refugiados é um problema da humanidade - e, portanto, nosso também. Há muito a fazer, e uma parte depende das políticas dos diferentes governos. Precisamos criar alternativas, discutir e mostrar a realidade, desfazer estereótipos e criar um campo fértil para os que querem atuar nessa área.

 De nossa parte, porém, devemos conhecer, abrir o debate e a reflexão sobre o tema e, principalmente, agir com toda nossa força para eliminar as diferentes formas de injustiças que vivemos todos os dias.