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Para ir à ONU, ativista contou com ajuda de ministro e ex-jogador

por Gabriel Bonis publicado 09/02/2012 14h04, última modificação 06/06/2015 18h21
"Apelei para o constrangimento internacional que iriam colocar o País", relata jornalista brasileiro, sobre luta por visto para irmã de extrativistas assassinados no Pará receber, em Nova York, prêmio em homenagem ao casal
Laisa

Foto: Gabriel Bonis

Dias antes de receber um prêmio das Nações Unidas em nome de Maria do Espírito Santo e José Cláudio Ribeiro, extrativistas assassinados em maio de 2011 no Pará, Laisa Santos Sampaio, irmã da ambientalista, precisou contar com a ajuda de amigos e da pressão brasileira à embaixada dos Estados Unidos para obter o visto que lhe permitiria embarcar a Nova York, onde fica a sede da entidade.

Nesta quinta-feira 9, Laisa subiu ao palco da ONU na premiação Heróis da Floresta - que congratulou indivíduos de todo o mundo com trabalhos desenvolvidos em 2011 para a preservação das florestas - para receber a menção criada especialmente em homenagem ao casal de extrativistas. Mas a professora conseguiu embarcar para Nova York somente depois de três fax aos diplomatas americanos justificando sua ida aos EUA, entre eles de autoridades brasileiras e da própria ONU.

Após receber o convite das Nações Unidas, Laisa precisou tirar um novo passaporte e sair do assentamento onde vive em Nova Ipixuna para tentar obter o visto na capital federal.

 

 

Com pouco tempo, realizou a solicitação pelas vias convencionais. Fez o agendamento, por meio de um despachante pago pelo ex-jogador de futebol Raí, e pediu uma entrevista de urgência para ser atendida antes do embarque na quarta-feira 8 de manhã. A entrevista, no entanto, foi marcada para o dia do voo.

Laisa foi aconselhada a procurar a embaixada do país em um horário especial de atendimento, no qual mostrou aos  atendentes uma carta convite da ONU. "Eles olharam o papel e disseram que não poderiam me ajudar."

“Amiga, venho da floresta Amazônica. Moro a 100 quilômetros da cidade. Lá não tem internet, nem email”, disse a uma atendente que lhe pediu para seguir os procedimentos diplomáticos. “Ela ainda me perguntou se tinha alguma aldeia perto da minha casa. Eu disse: ‘Moro do lado de uma’."

“Quase que eu trago uma flecha”, brinca.

Depois dos problemas em Brasília, o jornalista Felipe Milanez, finalista do prêmio da ONU e colaborador de CartaCapital, relata ter pressionado autoridades do governo brasileiro para analisarem o caso da professora. "Apelei para o constrangimento internacional que eles iriam colocar o País, porque eu vou à premiação e farei questão de dizer que o governo não se movimentou para trazer Laisa.”

Após o pedido de intermédio, o Itamaraty se solidarizou e enviou um fax à embaixada americana. A outra ajuda, conta a professora, veio do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, com quem se reuniu em Brasília na terça-feira 7. "Ele me disse que era importante estar no prêmio e que me ajudaria."

Somente às 16h30 de quarta-feira, 30 minutos antes de a representação diplomática fechar, Laisa conseguiu o visto.

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