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13 crianças indígenas morrem por diarreia no Acre

por Redação Carta Capital — publicado 19/01/2012 09h59, última modificação 20/01/2012 10h06
Em nota, o Ministério da Saúde diz aguardar confirmação de laboratório para saber se as mortes foram causadas pelo rotavírus
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Índios da etnia Kaxinawá. Foto: pib.socioambiental.org

Atualizada às 11h00, em 20 de janeiro de 2012.

O Ministério da Saúde confirmou, em nota, que 13 crianças indígenas morreram, em pouco mais de um mês, em decorrência de uma diarreia aguda em aldeias das etnias Kaxinawá e  Kulina no município de Santa Rosa do Purus, no Acre.

A suspeita é que elas tenham sido vítima do rotavírus, doença diarreica aguda causada por vírus transmitido por contato entre pessoas, através de água, alimentos e objetos contaminados.

A nota, assinada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao ministério, informa que até o momento não foi confirmado ou notificado oficialmente casos de rotavírus nas comunidades indígenas.

“Não há confirmação laboratorial dos casos e a causa das mortes ainda está sob investigação”, diz o ministério.

Ainda segundo a nota, as morte mortes foram registradas nas aldeias de Nova Família, Morada Nova,Novo Repouso, Nova Fronteira, Nova Aliança, Kanamari e Moema.

O Ministério da Saúde informou que está monitorando as investigações, e já disponibilizou ajuda ao município e ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Purus, responsável pelo atendimento básico de saúde à comunidade indígena da região.

De 1º a 18 de janeiro, 70 crianças indígenas foram identificadas com doença diarreica aguda. Dessas, três morreram e duas continuam internadas para tratamento, que é a base de reidratação oral. Em dezembro passado, foram dez mortes.

Os casos ocorreram em 20 das 46 aldeias na região do município de Santa Rosa do Purus, onde há 3 mil índios. Próximo da fronteira com o Peru, a secretaria alega que o acesso às tribos é difícil, feito por barco.

Equipes de saúde do ministério em Alto Rio Purus e dos governos estadual e municipal foram deslocadas paras aldeias em busca de novos casos e para investigar os motivos das mortes. A orientação é reidratar os doentes com sintomas suspeitos. Já os desidratados e desnutridos são removidos.

Para o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), as mortes mostram o descaso das autoridades com os indígenas no Acre. “O grave é que ninguém faz nada e fica um jogo de empurra-empurra entre as instituições que deveriam estar cuidando da saúde dos povos indígenas”, disse a entidade.

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