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MPF investiga concessão de lote à esposa de acusado de mandar matar extrativistas

por Redação Carta Capital — publicado 07/03/2013 19h59, última modificação 06/06/2015 18h23
Órgão deu 48 horas para Incra explicar porque beneficiou acusado do assassinato de José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo

O Ministério Público Federal vai apurar a concessão de um lote de terra realizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em nome de Antonia Nery de Souza no assentamento Praialta-Piranheira, em Nova Ipuxina, Pará. Ela é esposa de José Rodrigues Moreira, acusado de ser o mandante do assassinato dos extrativistas José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, que defendiam a preservação da região contra os interesses do acusado de criar gado na área.

O Incra tem 48 horas para explicar ao órgão porque a mulher foi considerada apta a ser beneficiária da reforma agrária, sendo que seu marido possui impedimento legal para receber a terra. O órgão também quer saber a quanto tempo ela está assentada.

CartaCapital A educadora mantém o trabalho extrativista iniciado pelo casal no assentamento.

O MPF também requisitou que o Incra entregue uma cópia integral dos procedimentos administrativos para a concessão do lote e do procedimento aberto para a retomada deste. O órgão da reforma agrária alega que houve erro na concessão e que identificou a impossibilidade da beneficiada receber a terra.

Segundo as investigações, José Cláudio e Maria foram assassinados por protegerem três famílias assentados em terras cobiçadas por Moreira. Ele havia comprado ilegalmente lotes na região e queria expulsar os camponeses do local, mas não conseguia devido ao enfrentamento dos extrativistas. Por isso, teria encomendado a morte do casal para ficar com as terras, dadas agora a sua mulher.

Os acusados do crime, Moreira (mandante) e os executores Lindonjonson Silva e Alberto Lopes deverão ser julgados em 3 de abril, em Marabá.

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