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Morte de Anísio Teixeira será investigada pela Comissão da Verdade

por Redação Carta Capital — publicado 15/11/2012 07h06, última modificação 06/06/2015 19h24
O idealizador da Universidade de Brasília morreu durante a ditadura após, oficialmente, cair no fosso de um elevador
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O educador Anísio Teixeira. Foto: IAT/BA

Um protocolo selado no início de novembro criou meios para que sejam apuradas as circunstâncias, até hoje nebulosas, da morte de Anísio Teixeira, um dos maiores educadores brasileiros, ocorrida durante a ditadura, em março de 1971.

Assinado na Universidade de Brasília (UnB), instituição idealizada e dirigida por Teixeira, o documento permite que a Comissão Memória e Verdade Anísio Teixeira, da UnB, trabalhe em conjunto com a Comissão Nacional da Verdade (CNV) para investigar os motivos que levaram à morte do educador, oficialmente classificada como "acidental".

Anísio Teixeira era baiano, natural de Caetité,  e foi um dos pioneiros na defesa do movimento da Escola Nova, cujo princípio era desenvolver o racicíonio por meio da capacidade de julgamento, não da memorização. Aos 24 anos, Teixeira assumiu o posto de secretário da Educação da Bahia e conseguiu triplicar as verbas para a educação no estado. Com 30 anos, transferiu-se para o Distrito Federal, à época no Rio de Janeiro, onde assumiu o posto de secretário de Educação e Cultura e melhorou a infraestrutura de educação da cidade. Voltou a assumir um cargo relevante no governo do presidente Juscelino Kubitschek, quando fundou a Universidade de Brasília.

Com o golpe de 1964, a universidade interdisciplinar e crítica idealizada por Teixeira havia se tornado um problema para ditadura. Em 1971, o educador baiano acidentalmente caiu no fosso de um elevador e morreu. A versão oficial apresentada pela polícia jamais foi aceita pelos amigos e familiares. Eles acreditam que o "acidente" tenha tido motivações políticas. “Não dá para a sociedade brasileira ficar sem saber o que aconteceu”, argumenta o sobrinho e ex-deputado federal Haroldo Lima.

Investigações

De acordo com a família, as investigações realizadas em 1971 estão repletas de falhas técnicas e perguntas não respondidas. Por isso, a necessidade de retomar o caso mesmo após 41 anos da morte do educador. “É um caso que completou 41 anos e, por isso, é difícil de ser investigado já que muitos dos citados já morreram”, admite Lima em uma entrevista para a EBC (Empresa Brasileira de Comunicação).

As investigações são retomadas a partir de um memorial sobre o episódio entregue tanto para a CNV quanto para a Comissão Memória e Verdade Anísio Teixeira. O documento foi redigido por Lima, com a participação de Carlos Antonio Teixeira (filho de Anísio), Mario Celso Gama (genro) e do escritor João Augusto, autor de um livro sobre o educador.

"A expectativa é que, de posse desse memorial, as duas comissões se debrucem sobre o material e investiguem”, explica o ex-parlamentar. "O memorial é um relato minucioso e objetivo dos fatos que aconteceram, sem comentários e análises", completa.

A Comissão da Verdade para investigar a morte de Anísio Teixeira é mais uma das iniciativas que pipocam pelo País para jogar luz aos crimes políticos cometidos durante a ditadura. Ação semelhante ocorre na Universidade de São Paulo (USP), que criou uma Comissão da Verdade própria para investigar o desaparecimento de 40 funcionários, professores ou alunos da instituição.

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