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Maranhão

Funai não confirma assassinato de indígena

por Redação Carta Capital — publicado 11/01/2012 19h30, última modificação 06/06/2015 18h57
Órgão informa não ter conseguido verificar veracidade de denúncia sobre morte de criança da tribo Awá-Guajá por madeireiros, mas anuncia que vai ampliar buscas
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Índios de várias etnias fazem protesto na sede da Funai em 2010, em Brasília. Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou nesta quarta-feira 11 que não conseguiu confirmar se a denúncia do assassinato de uma criança da tribo Awá-Guajá é verdadeira.

A vítima teria sido morta e carbonizada por madeireiros na Terra Indígena Araribóia, a 469 quilômetros de São Luís, capital do Maranhão.

O assunto ganhou repercussão na mídia após ser divulgado em blogs na internet e ganhar a corroboração do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entidade ligada à Igreja Católica, na última semana.

Devido à denúncia, a Funai deslocou três servidores de sua coordenação regional em Imperatriz para a região na última semana, a fim de levantar mais informações sobre o caso. Em nota, o órgão diz ter consultado lideranças de tribos locais, que supostamente teriam reportado o desaparecimento dos Awá-Guajá após um ataque de madeireiros, mas não houve confirmação das denúncias.

Segundo o comunicado publicado no site da Funai, o órgão vai deslocar uma equipe de Brasília "para aprofundar a pesquisa em campo e dar continuidade ao levantamento de informações". "A Fundação solicitará o apoio da Polícia Federal, a fim de verificar a veracidade de relatos – que circularam em blogs e redes sociais na internet – de que indígenas Guajajara teriam encontrado o corpo carbonizado de uma criança indígena da etnia Awa-Guajá, povo isolado daquele Estado."

Madeireiros

Tribos da região relatam que nos últimos anos a ação de madeireiros empurra os Awá para áreas mais próximas da sociedade. Além disso, a retirada de madeira tem colocado em risco a subsistência dos índios, destaca o Cimi, em seu site.

Rosimeire Diniz, coordenadora do Cimi no Maranhão, declarou a CartaCapital na sexta-feira 6, que casos de confronto entre índios e madeireiros na região estão ficando mais frequentes e foram registradas ocorrências deste tipos pelos menos nos últimos três anos. “Já houve desde invasão de aldeia por madeireiros até espancamento de uma liderança indígena. Essas são as últimas reservas de mata no Maranhão e elas estão tomadas por madeireiros.”

A missionária questiona a ausência de representantes da Funai e das autoridades na região. “Quando acontece algum caso de denuncia ou repercussão, há uma operação, mas com poucos resultados práticos. Não há uma ação efetiva para assegurar a defesa do território e das comunidades que ali vivem.”

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