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Falta de creches é um dos principais problemas para mulheres

por Redação Carta Capital — publicado 04/10/2012 17h39, última modificação 04/10/2012 18h02
Além de um maior número de instituições, mulheres também querem mudanças no horário de funcionamento
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Além de um maior número de creches, mulheres também querem que as instituições aumentem seu horário de funcionamento Foto: Valter Campanato/ABr

Foi significativo o aumento de mulheres no mercado de trabalho nos últimos dez anos. Se em 2002 elas correspondiam a 34% dos trabalhadores renumerados, hoje este número já chega a 43%. Essa maior participação, contudo, não veio acompanhada  de mudanças na divisão sexual do trabalho - que inclui o cuidado com filhos -, fazendo da falta de creches uma das principais reclamações do grupo feminino em relação às políticas públicas.

O tema voltou à pauta nas eleições municipais de 2012 e tem permeado a disputa entre candidatos de todos os partidos.  De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular em conjunto com o SOS Corpo, 88% das entrevistadas apontam a creche como uma das importantes demandas da atualidade. 34% delas afirmam que encontrar vagas é a maior dificuldade para as mulheres que trabalham, problema que fica à frente, por exemplo, da falta de transporte (23%).

Ainda conforme a pesquisa, no Brasil 10 milhões de crianças estão em idade de frequentar creches, mas apenas 21% delas estão matriculadas. Outro agravante é que 45% das mães que trabalham não têm ajuda para cuidar dos filhos. "Esse cuidado continua a ser uma responsabilidade quase exclusiva das mulheres. Isso traz como consequências desigualdades no mercado de trabalho, tanto para conseguir emprego como no desenvolvimento profissional das que já estão no mercado”, explica Maria Betânia Ávila, pesquisadora do SOS Corpo.

Quando respondiam espontaneamente sobre as principais melhorias que poderiam ajudar no dia a dia, maior quantidade de creches e melhor transporte ficaram empatados em primeiro lugar, ambos com 16%. Existe uma demanda por qualidade das entidades e que elas funcionem até às 22 horas. "Os horários de funcionamento não são compatíveis com os horários de trabalho das mulheres e com os tempos de deslocamento, cada vez maiores nas grandes cidades. Também não considera a realidade daquelas que trabalham à noite ou nos finais de semana”, diz a também pesquisadora do SOS Corpo, Verônica Ferreira.

Foram ouvidas 800 mulheres entre 18 a 64 anos que trabalham e são moradoras de regiões metropolitanas do Pará, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e do Distrito Federal.

 

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