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Antes de Salma Khan

Educação: os que viram o futuro nos anos 70

Em junho de 1975, o IUPERJ produziu um documento onde constam os conceitos levantados por Salma Khan 40 anos depois
por Luis Nassif publicado 24/01/2013 13:34, última modificação 24/01/2013 13:34
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Esta semana o norte-americano Salma Khan frequentou todos os jornais – inclusive esta coluna – com os conceitos que trouxe sobre educação. Não se trata mais de definir um ritmo de aprendizado único para todos os alunos, mas de se montar um sistema que permita a cada aluno aprender no seu próprio ritmo.

Seja pelo seus padrinhos – Bill Gates e Jorge Paulo Lemann – seja pelas ideias inovadoras, os conceitos de Khan foram o tema da semana na área de educação.

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Em junho de 1975, o IUPERJ (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro) produziu um extraordinário documento sobre o tema, onde constam TODOS os conceitos levantados por Khan – com 40 anos de antecedência.

Coordenado por Wanderlei Guilherme dos Santos – o mais respeitado cientista político do país – o trabalho produziu as seguintes conclusões.

Reconheceu a importância da escola e sua obsolescência. cuja raiz principal encontra-se no “descompasso entre a velocidade de crescimento do conhecimento e a capacidade da escola, como tecnologia organizacional, de apropriar-se e transmitir esse conhecimento em tempo socialmente útil”.

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Tinha que se reformular duas premissas: a de que o ensino está baseado na capacidade do professor em ensinar e não do aluno em aprender; e o de que o objetivo de cada “série” é homogeneizar a “classe” de estudantes de acordo com a idade biológica dos alunos.

Cria-se então o objetivo de que todos os estudantes cheguem ao final do curso com a mesma quantidade de conhecimento. No caso dos estudantes excepcionalmente bem dotados, a solução encontrada foi coloca-los em ambientes separados, como se fossem uma classe homogênea.

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O trabalho propunha “abordar o problema do aprendizado de um ponto de vista do individualismo radical”. Cada estudante teria um programa de ensino próprio e individualizado, podendo estar “na terceira série de matemática e história, por exemplo, na segunda de francês e na primeira de geografia”.

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O impacto político da proposta, continua o trabalho, estaria na liberalização da formação profissional da temporalidade estreita da escola. “Qual o problema de formar um engenheiro elétrico em dois anos, embora ele leve quatro ou cinco anos para adquirir os conhecimentos de engenharia industrial ou mecânica?”.

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Esse conceito mudaria totalmente a estrutura organizacional da escola. Em vez de organizar as salas por faixa etária, seria por classes de conhecimento, aos quais qualquer estudante teria acesso, desde que preenchidos os requisitos prévios de conhecimento.

“O professor estaria em cada classe de conhecimento com o objetivo não de frear uns e acelerar outros, mas o de ajudar cada estudante a passar o mais rápido possível pela classe de conhecimentos sob responsabilidade daquele professor”.

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E aí – inacreditavelmente – o trabalho entra no campo tecnológico e mostra que o caminho para a revolução estaria na interação estudante-máquina, o computador onde estariam armazenados por módulos, exercício, lições e correções.

Além do ensino, “cria-se um imenso mercado para a indústria eletrônica nacional” a introdução maciça do computador nas escolas.

Fala-se muito em desperdício no país. Não há desperdício mais fatal que o das grandes ideias inovadoras.

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