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PM em greve

Bahia: Exército cerca policiais na Assembleia Legislativa

por Redação Carta Capital — publicado 06/02/2012 10h00, última modificação 06/06/2015 18h21
Clima é tenso na capital baiana. Militares buscam cumprir 11 mandados de prisão contra policiais militares grevistas
salvador

Foto: Adenilson Nunes/Governo da Bahia

Cerca de 600 homens do Exército cercam a Assembleia Legislativa da Bahia para garantir que a Polícia Federal cumpra os 11 mandados de prisão contra policiais militares grevistas que ocupam a Casa desde a semana passada.

A Justiça decretou a ilegalidade do movimento e expediu 12 mandados de prisão. O primeiro foi cumprido na madrugada de domingo 5. O policial Alvin Silva foi preso e encaminhado para a Polícia do Exército sob a acusação de formação de quadrilha e roubo de patrimônio público (viaturas). Além disso, o policial vai passar por um processo administrativo na própria corporação.

O pedido para a desocupação do prédio foi feito no domingo à tarde pelo presidente da Casa, deputado Marcelo Nilo. O secretário de Segurança, Maurício Barbosa, e o comandante-geral da PM, coronel Alfredo Castro, acompanham a operação.

O estado conta com o apoio de mais de 2,5 mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional no patrulhamento de Salvador, Feira de Santana, Barreiras e Paulo Afonso. O grupo conta também com quatro veículos de combate Urutu, que já circulam por Salvador.

Os policiais militares da Bahia estão em greve desde a última quarta-feira 1º.

Número de homicídios chega a 87 no estado

Desde o início da greve da Polícia Militar na Bahia na terça-feira 31, 87 pessoas foram assassinadas no estado, segundo dados atualizados do site da Secretaria de Segurança Pública estadual. A grande maioria dos crimes, no entanto, ocorreu na região metropolitana de Salvador.

Além das mortes, no mesmo período foram registradas 41 tentativas de assassinato.

O dia mais violento foi a sexta-feira 3, com 32 homicídios e 16 tentativas de assassinato. Na quarta-feira 1, foram registrados sete homicídios, na quinta-feira, 14, no sábado, 17, e no domingo, até o momento, 18 mortes.

Segundo o governo baiano, os 12 mandados de prisão expedidos pela Justiça contra policiais e participantes da greve, considerada ilegal, começaram a ser executados no estado. A primeira prisão ocorreu na madrugada deste domingo 5.

Alvin dos Santos Silva, policial militar lotado na Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental (COPPA), foi detido sob a acusação de formação de quadrilha e roubo de viaturas.

No sábado 4, o governador Jacques Wagner (PT) afirmou que não vai conceder a reivindicação de anistia para os policiais que participaram do movimento, apresentada na pauta das associações da PM baiana. “Ultrapassar a democracia com a violação da lei, comigo não tem acordo.”

Os policiais e participantes da greve estão acampados em frente à Assembleia Legislativa de Salvador. Eles reivindicam a aprovação do plano de carreira, regulamentação da gratificação de atividade policial, nível 5, melhores salários e condições de trabalho.

De acordo com Wagner, nos últimos cinco anos, a corporação recebeu cerca de 60% de reajuste, ou um ganho real em torno de 35%. O governador admitiu, porém, que as condições de trabalho precisam ser melhoradas.

A Secretaria de Segurança aponta que a Justiça expediu um mandado de reintegração de posse para 16 viaturas em posse de manifestantes ligados aos grevistas e que parte dos veículos foi recuperada.

Ainda de acordo com o órgão, a Justiça determinou o fim do movimento grevista que conta com a participação de cerca de 20 mil dos 30 mil policiais baianos. Das 300 viaturas da corporação em Salvador, 210 estão em atividade.

Ajuda federal

Para avaliar a situação e acompanhar as operações das Forças Armadas na garantia da segurança da população, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki, foram enviados a Salvador

O diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi, também estão na cidade.

Cardozo declarou no sábado que a presidenta Dilma Rousseff decretou Operação de Lei e Ordem. Isso possibilita a mobilização da Força Nacional, da PF e das Forças Armadas sob o comando do Ministério da Defesa. Ele ressaltou ainda que depredações e ataques a equipamentos submetidos à Operação são crime federal. “Neste caso, a PF poderá investigar, apurar e submeter as ações ao Ministério Público Federal, para que as medidas corretas sejam tomadas."

A Secretaria de Segurança estadual informou que cerca de 3,5 mil militares foram disponibilizados para garantir a ordem no estado durante a greve da PM. Segundo o órgão, os bairros periféricos de Salvador começaram a receber o reforço militar na noite de ontem. As operações no interior do estado ocorrem pontualmente.

Violência

Boatos de arrastões fizeram com que o comércio fechasse mais cedo na sexta-feira e shows de bandas de axé, como Olodum – que teve um de seus integrantes morto em um assalto ontem  – , e uma apresentação da cantora Ivete Sangalo fossem cancelados.

A falta de policiais nas ruas gerou uma onda de saques e violência em todo o estado. Apenas na sexta-feira, 58 carros foram roubados e algumas lojas arrombadas e saqueadas.

De acordo com a Secretaria de Segurança, foi registrada “uma série de casos de vandalismo, com assaltos e arrastões, em várias áreas de Salvador”, desde que “PMs ligados à Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra-BA) anunciaram greve por tempo indeterminado."

*Com informações Agência Brasil.