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Sociedade

Relatório da ONU

Apesar de avanços no IDH, Brasil está abaixo da média da América Latina

por Redação Carta Capital — publicado 14/03/2013 14h11, última modificação 06/06/2015 18h24
Em 22 anos, IDH brasileiro avança 40%, mas não supera resultado de vizinhos

O Brasil teve um avanço consistente nos últimos 22 anos no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), mas ainda está abaixo do desempenho dos países da América Latina e Caribe. É o que indica o relatório A Ascensão do Sul: Progresso Humano em um Mundo Diverso (em tradução do inglês), divulgado nesta quinta-feira 13, no qual a sexta maior economia do mundo aparece apenas na 85ª posição, com o índice 0,730 (quanto mais próximo de 1, melhor), entre os 186 países analisados em 2012.

O País está no grupo das nações com IDH considerado elevado.

Segundo o estudo, o Brasil foi um dos países que mais avançou para eliminar a pobreza e a desigualdade, aumentando assim seu desempenho no ranking. Entre 1980 e 2012, o IDH brasileiro passou de 0,522 para 0,730, um aumento de 40%, ou uma média de anual de crescimento em torno de 1,1%.

No mesmo período, a expectativa de vida ao nascer no Brasil subiu 11,3 anos (saindo de 62,5 anos para 73,8), a média de anos de estudo cresceu 4,6 anos e a expectativa de anos de estudo avançou 4,3 anos. Além disso, a renda per capital aumentou 39%.

Mesmo com esse quadro positivo, o País aparece atrás do Chile (0,819), Argentina (0,811), Uruguai (0,792), Venezuela (0,748) e Peru (0,741). O resultado brasileiro também está abaixo da média dos integrantes do grupo dos considerados com desenvolvimento humano elevado (0,758) e dos países da Amértica Latina e Caribe (0,741).

O Pnud ainda compara o Brasil com México (0,775) e Colômbia (0,719), por serem da mesma região e terem número de habitantes próximos. O País perde para ambos e para a média da América Latina quando considerada a expectativa de vida ao nascer.

Por outro lado, mostra desempenho superior nos anos esperados de ensino (também maiores que a média dos países com IDH elevado). Mas volta a perder na média de anos de educação Colômbia, México, América Latina e países com IDH elevado. Entre as maiores rendas, supera apenas os colombianos. (Veja no quadro abaixo)

 

BRICS

Apesar de estar abaixo dos indicadores da América Latina, em geral, o Brasil tem melhores resultados que os países do BRICS (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), grupo das economias que crescem mais rapidamente no mundo. Os dados do Pnud também mostram superioridade brasileira no subgrupo IBAS (Índia, Brasil e África do Sul).

O IDH brasileiro é mais elevado que o da China (0,699), Índia (0,554) e África do Sul (0,629), embora seja superado pela Rússia (0,788). O país também leva a melhor na média dos Brics (0,655) e do IBAS (0,588).

Na maioria dos quesitos (veja o quadro abaixo), o Brasil apresenta melhor desempenho. Com exceção da renda per capita, no qual os seus 10,1 mil dólares por ano são superados pelos 14,4 mil da Rússia, e nos anos esperados de ensino (14,3 anos da Rússia contra 14,2 do Brasil).

Na média de anos de estudo, por outro lado, o país supera apenas a Índia (7,2 anos contra 4,4).

 

Desigualdade de gênero

O Pnud também calculou o ranking de desigualdade de genero, no qual o Brasil (0,447) aparece na 85º posição, entre os 148 países analisados em 2012. Um resultado pior que a média da América Latina (0,419) e dos países com IDH elevado (0,376) e muito abaixo dos primeiros colocados na lista: Holanda (0,045), a Suécia (0,055) e a Suíça (0,057).

O índice considera dados oficiais sobre saúde reprodutiva, poder das mulheres e participação no mercado de trabalho. Quanto mais próximo de zero, menor a diferença de gênero.

Segundo o estudo, no Brasil apenas 9,6% das cadeiras do Congresso são ocupadas por mulheres, contra 24,4% na América Latina e 18,5% nos países com IDH elevado.

O Brasil tem um desempenho melhor que a média latina para as mortes de mulheres por problemas relacionados à gravidez. No País, a cada 100 mil nascimentos, 56 mulheres falecem devido a estas complicações, contra 74 na América Latina. O número é, no entanto, maior que os 47 da média dos países com IDH elevado.

As mulheres adultas brasileiras também são mais educadas que os homens: 50,5% delas atingiram o ensino médio ou superior, comparado com 48,5% dos homens. Na América Latina esse dado é de 49,8% para as mulheres e 51,1% aos homens. Entre as nações com IDH elevado, a média foi de 62,9% para mulheres e 65,2% para os homens.

O Pnud ainda indica uma elevada diferença na participação feminina no mercado de trabalho: 59,6% contra 80,9% dos homens. Na América Latina, essa  média é 53,7% para mulheres e 79,9% para homens. Nos países com IDH elevado fica em 46,8% para mulheres e 75,3% para homens.

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