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Robôs para humanizar as UTIs

por Rogério Tuma publicado 24/07/2012 15h39, última modificação 06/06/2015 16h55
O uso das máquinas em hospitais americanos facilita o trabalho de médicos e melhora a relação com pacientes

A telemedicina já virou uma ciência antiga, com início na metade do século XX. Mas suas infinitas oportunidades necessitaram da tecnologia do presente para se tornarem eficientes e mais úteis. E não existe um local nos hospitais em que a relação “médico, paciente e máquina” seja tão intensa quanto nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). Quem teve a oportunidade de visitar uma não se lembrará de quantos monitores, frascos de medicamentos pendurados, computadores, aparelhos para auxiliar a respiração e fios ligados ao paciente existiam. Essa parafernália de engenhocas e fios exige explicações do médico para a família do paciente. Mas como os casos que vão para as UTIs são mais graves, tomam bastante tempo dos médicos, o diálogo costuma ser curto e, inevitavelmente, insatisfatório. Mas o que poderia nos ajudar? Resposta fácil, outra máquina!

Cientistas da Unidade de Trauma da Escola de Medicina da Universidade de Maryland, em Baltimore (EUA), publicaram em junho um estudo na revista Telemedicine and e-Health, que avaliou o papel dos 56 robôs espalhados em 25 UTIs americanas durante 2010. Foram mais de 10 mil ativações de robôs naquele ano, a grande maioria foi demandada por médicos mais velhos e experientes.

O papel do robô é simples, ele permite contato direto, em tempo real, tendo como base a internet banda larga entre o médico da UTI e um profissional que está longe. O especialista consegue controlar o robô para chegar até o leito do paciente, checar os monitores e mover-se em volta do leito. Além disso, o especialista tem acesso a todos os exames laboratoriais e às imagens, também em tempo real, podendo gerar gráficos evolutivos e analisar mais minuciosamente um caso, enquanto o plantonista da UTI socorre os outros pacientes.

Alguns robôs podem inclusive utilizar estetoscópios eletrônicos, aparelhos para examinar os olhos, a retina e até o canal auditivo dos pacientes, além de recursos diagnósticos como ultrassom. O médico que controla o robô pode conversar com o colega, o paciente e a família, tudo isso com uma conexão de apenas 400 Kbps.

Quando a doutora Elisa Reynolds e seus colaboradores entrevistaram os colegas para saber qual as vantagens de terem robôs auxiliando, descobriram que 100% dos médicos perceberam que o trabalho realizado e a percepção dos familiares em relação ao cuidado dos pacientes melhorou, todos eles pretendem continuar utilizando esse recurso.

Para os médicos, o uso de robôs reduziu o tempo de permanência na UTI para 78% dos pacientes e para 87% dos médicos. Aprimorou ainda o seu conhecimento, a qualidade do atendimento médico e aproximou-se do “estado da arte” para 93% dos médicos. E, acredite, 60% deles classificaram a nova tecnologia como uma “benção”. A solução não é somente útil onde as UTIs são bem equipadas, ela é ainda mais útil quando analisada em UTIs de áreas economicamente menos desenvolvidas, com menos recursos médicos.

Os neurônios da filantropia
Ao analisar exames de ressonância magnética funcional, que compara a anatomia do cérebro e seu metabolismo, pesquisadores da Universidade de Zurique demonstraram que pessoas que têm um comportamento mais altruísta possuem mais neurônios em uma região que fica na transição entre o lobo temporal e o lobo parietal do cérebro.

No estudo em que voluntários precisavam doar parte de seu dinheiro para outra pessoa, esta área estava bem ativa em mesquinhos, mesmo quando a proporção da parte a ser doada era pouca; entre os altruístas, para essa região ser ativada, o custo do altruísmo precisaria ser bem maior.

Mas o pesquisador principal, Ernst Fehr, adverte que não se pode concluir que altruísmo seja uma questão puramente biológica, pois esse comportamento recebe muita interferência social.

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