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Política

Operação Monte Carlo

Testemunhas confirmam esquema criminoso chefiado por Cachoeira

por Agência Brasil publicado 24/07/2012 20h51, última modificação 24/07/2012 20h51
No primeiro dia de depoimentos na Justiça Federal em Goiânia, apenas duas pessoas das 14 testemunhas de acusação foram ouvidas
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Cachoeira durante depoimento à CPI em maio. Foto: Agência Brasil

Por Débora Zampier e Lia Kunzler*

Brasília e Goiânia – O primeiro dia de depoimentos da Operação Monte Carlo na Justiça Federal em Goiânia, reservado à oitiva das testemunhas, ocorre nesta terça-feira 24 com atrasos no cronograma inicial. Das 14 pessoas que deveriam falar ao longo do dia, apenas duas testemunhas de acusação foram ouvidas. Elas confirmaram a existência de esquema criminoso liderado pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

A audiência, coordenada pelo juiz Alderico Rocha, começou por volta das 9h. Carlinhos Cachoeira chegou quase uma hora antes do início da sessão para acompanhar os depoimentos. Ele foi transferido de Brasília, onde estava detido, para Goiânia, na segunda-feira 23. O bicheiro é acusado de liderar esquema de exploração de jogos ilegais no Centro-Oeste investigado pela Operação Monte Carlo.

A esposa de Cachoeira, Andressa Mendonça, e o pai, Sebastião Ramos, compareceram à audiência e defenderam o empresário das acusações. “Ele é um Cristo, está sofrendo na mão dos outros”, disse o Ramos, insistindo que o processo contra seu filho é uma questão política.

Mesada

O primeiro a depor foi o policial federal Fábio Alvarez, que trabalhou como analista das escutas da Operação Monte Carlo. Ele afirmou que as investigações evidenciaram a existência da organização criminosa chefiada por Cachoeira e que o empresário pagava “mesadas” a autoridades públicas e a civis para manter o esquema.

Alvarez ainda disse que o policial Wilton Tapajós, assassinado na semana passada em um cemitério de Brasília, foi abordado por policiais militares enquanto investigava a quadrilha de Cachoeira. Segundo o depoente, esses militares podem estar ligados ao grupo do empresário goiano.

A segunda testemunha ouvida foi o policial federal Luiz Carlos Pimentel, que confirmou as declarações de Alvarez e deu mais detalhes sobre as investigações e as escutas. Ele negou que o delegado da Polícia Federal Fernando Byron, acusado de vazar informações sigilosas para o grupo de Cachoeira, estivesse infiltrado no grupo por ordem da PF.

Dispensa

Devido ao atraso no cronograma, o procurador Daniel Resende, que atua no caso, acredita que o juiz Alderico Rocha pode dispensar algumas testemunhas – estava previsto o depoimento de quatro testemunhas de acusação e dez de defesa. O segundo e último dia de depoimentos, com a oitiva dos réus, deveria ocorrer na quarta-feira 25, mas já se considera que as testemunhas podem ser ouvidas até quinta-feira 26.

O processo da Operação Monte Carlo que corre na Justiça Federal em Goiânia tem mais de 80 réus, mas foi desmembrado em duas partes para agilizar a tramitação em relação àqueles que estavam detidos preventivamente. Atualmente, só Cachoeira e Gleyb Ferreira, um de seus assistentes, estão presos.

Os réus presos e que agora respondem em liberdade são Idalberto Matias de Araújo, José Olímpio de Queiroga Neto, Lenine Araújo de Souza, Raimundo Washington de Sousa Queiroga e Wladimir Garcez. Todos foram convocados para depor amanhã. Geovani da Silva, que tem ordem de prisão decretada, está foragido desde a deflagração da Operação Monte Carlo, no dia 29 de fevereiro e não deverá comparecer à audiência.

Além do processo de Goiânia, a Operação Monte Carlo resultou em outros processos no Supremo Tribunal Federal em relação a parlamentares com foro privilegiado, como o então senador Demóstenes Torres. Como ele foi cassado, o processo deverá ser enviado para a Justiça de primeira instância.

*Publicado originalmente em Agência Brasil.